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Copacol foca investimentos em suínos e armazenagem

Cooperativa do Paraná está investindo R$ 150 milhões em unidade produtora de leitões e outros R$ 30 milhões na produção de ração

Leticia Pakulski, Julliana Martins, Augusto Decker e Isadora Duarte, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00

Com a demanda externa firme por carnes, a cooperativa paranaense Copacol está investindo R$ 150 milhões em uma unidade produtora de leitões, com capacidade para 10 mil matrizes, e outros R$ 30 milhões na produção de ração. O investimento será concluído no fim do ano que vem e tem a contrapartida dos produtores cooperados, que aplicarão outros R$ 120 milhões na engorda de animais. A expectativa é de entregar à cooperativa central Frimesa, da qual a Copacol é uma das filiadas, 300 mil suínos a partir de 2023 para suprir a ampliação prevista dos abates. A Copacol, que espera fechar o ano com 6,9 mil cooperados no sudoeste e oeste do Paraná, também vai investir R$ 30 milhões em armazenagem. “Queremos aumentar em 50 mil toneladas a capacidade de estocagem de matéria-prima, principalmente milho”, conta Valter Pitol, diretor presidente. A quebra da safrinha deste ano obrigará a Copacol a comprar milho de Mato Grosso, do Paraguai e até da Argentina. “Onde tiver milho vamos buscar até julho do ano que vem.” A cooperativa produz mais de 100 mil toneladas de ração por mês.

Avanço

Pitol estima que a exportação de frango da Copacol cresça neste ano de 180 mil para 240 mil toneladas. Volume não absorvido pelo mercado interno irá principalmente para Ásia, Europa, Oriente Médio, África e México. “No ano passado, nosso faturamento de exportação, entre frango, farelo e óleo de soja, foi de US$ 460 milhões e em 2021 esperamos passar de US$ 550 milhões.” O abate de 680 mil frangos por dia deve ficar estável.

Para o futuro

A Copacol adquiriu no ano passado uma indústria de peixes em Toledo (PR) e pretende aumentar progressivamente os abates de tilápia na unidade, de 20 mil por dia atuais para 80 mil por dia até 2025. Os cooperados, por sua vez, devem aplicar ao menos

R$ 80 milhões na construção de tanques para ampliar a produção de peixes. Na unidade de Nova Aurora (PR), a capacidade máxima diária de abates, de 150 mil tilápias, já está perto de ser alcançada – a cooperativa prevê atingir, até o fim do ano, 140 mil peixes/dia.

De vento...

Com o bom momento vivido pela pecuária, a Jacarezinho prevê vender 60% mais touros nos próximos cinco anos, de 2.465 em 2020 para 4 mil animais em 2025. O faturamento com o produto deve triplicar, para esperados R$ 90 milhões. O otimismo vem da demanda por touros, aquecida com maior retenção de fêmeas e produção de bezerros.

...em popa

A empresa de Marcos Molina, mesmo controlador da Marfrig, deve concluir uma série de investimentos em projetos de irrigação, recuperação de pastagens e genética bovina para ampliar a lotação das fazendas, conta Rafael Zonzini, gerente da empresa. Também há perspectiva de vender mais sêmen e embriões bovinos, cuja procura e preço médio estão aumentando. Em 2020, a comercialização de sêmen pela Agropecuária Jacarezinho cresceu 25%, com faturamento de R$ 1,8 milhão.

Inteligência

Com uso da tecnologia IoT (internet das coisas), o custo de produção em vinhedos do Sul do País caiu de 15% a 20%. Duas das mais tradicionais vinícolas do Rio Grande do Sul, a Casa Valduga e a Casa Perini, instalaram sensores para monitorar fatores como umidade do solo e irrigação, tecnologia trazida da Itália pela AgriDecision em parceria com a Arqia, empresa do Grupo Datora especializada em IoT.

Mais puro

Fabrizio Gambarini, CEO e fundador da AgriDecision, explica que, com informações mais precisas sobre condições de solo, o uso de produtos como adubos ou defensivos passa a ser feito apenas no momento e nas áreas em que é necessário. “Em função dessa tecnologia de gestão há um menor número de aplicação de substâncias químicas”, diz ele, o que melhora a “qualidade da plantação, semeadura, manutenção, colheita e produção”.

Robocana

Um robô substitui a mão de obra nos trabalhos de solda em moendas de cana-de-açúcar do Grupo São Martinho. A inovação, da Duo Automation, deve levar a uma economia anual de 30% a 50% no gasto com eletrodos (um dos produtos usados no processo), o que representa uma média de R$ 450 mil para usinas que moem 3 milhões de toneladas/ano. Trabalhadores da São Martinho que faziam essa função foram realocados para serviços de caldeiraria, que eram terceirizados.

Expande

A Nutrien, de insumos agrícolas, decidiu aproveitar sua rede de distribuição em Minas Gerais e São Paulo para ampliar a atuação da Sementes Goiás, hoje concentrada no Estado que lhe dá o nome e também no Tocantins. “A presença em outros Estados vai depender do ritmo de aquisições e abertura de lojas da Nutrien”, diz Manoel Pedrosa, diretor de Sementes. A entrada nos dois novos mercados e os fundamentos positivos do setor devem puxar o crescimento das vendas da marca, segundo o executivo. Ele prevê comercializar 1,3 milhão de sacas de 40 quilos de sementes de soja da marca própria até o fim deste ano, ante 1 milhão de sacas vendidas em 2020.  

 

 

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