Copel, TPI e Alupar vencem leilão de novas usinas de energia

Resultado destoou das últimas licitações, com a Eletrobrás fora da lista de vitoriosos 

Reuters,

30 de julho de 2010 | 14h18

O leilão de três novas usinas hidrelétricas nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) destoou das últimas licitações, com a Eletrobrás fora da lista de vitoriosos.

No início da semana, a Eletrobrás informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o grupo pretendia "ganhar todas" as hidrelétricas que iriam a leilão nesta sexta-feira.

A estatal participou do leilão, mas o lance não foi o menor em nenhum dos casos. Para a usina de Colíder, o consórcio Teles Pires tinha Furnas e Eletrobrás Holding com 15% cada; Eletronorte com 19,9%, Neoenergia com 46% e Andrade Gutierrez com 4,1%.

No caso desta usina, entretanto, a vencedora foi uma estatal: a paranaense Copel, com oferta de preço de R$ 103,40 por megawatt-hora (MWh), contra valor máximo estipulado pelo governo de R$ 116. Vencia aquele que se dispusesse a cobrar menos pela energia.

Das novas usinas levadas a leilão, Colíder tem o maior investimento previsto: R$ 1,2 bilhão. Com capacidade instalada de 300 MW, a usina será construída no rio Teles Pires, na região das cidades de Nova Canaã do Norte, Colíder e Itaúba (MT).

"Colíder é a primeira usina que estamos licitando na bacia do Rio Tapajós. O rio tem um grande potencial hidrelétrico", afirmou o secretário do Ministério das Minas e Energia (MME), Altino Ventura. Além do consórcio da Eletrobrás e da Copel, outros cinco grupos participaram da disputa.

A usina de Garibaldi, com potência instalada de 177,9 MW e investimentos de R$ 719,3 milhões, ficou com a Triunfo Participações (TPI), que fez oferta de R$ 107,98 por MWh. O preço-teto era de R$ 133. A hidrelétrica será construída no rio Canoas, nos municípios de Cerro Negro e Abdon Batista (SC). A Eletrosul, estatal da Eletrobrás, participou em um consórcio onde detinha 49% do controle e a Copel os outros 51%. No total, foram sete concorrentes.

Já a Alupar fez o melhor lance pela usina de Ferreira Gomes, oferecendo R$ 69,78 por megawatt-hora (MWh), contra preço-teto de R$ 83. A usina será construída no rio Araguari, nos municípios de Araguari e Ferreira Gomes (AP). A potência instalada mínima é de 252 MW, com investimentos de R$ 810,7 milhões. A Eletrobrás participou da disputa por meio da Eletronorte, em um consórcio com a Neoenergia, onde a proporção era de, respectivamente, 49% e 51%.

"Esta usina representa a garantia do suprimento local de energia, e o excedente pode ir para o Sistema Interligado Nacional (SIN)", disse o secretário do MME.

O deságio médio sobre as tarifas máximas estipuladas pelo governo para os três empreendimentos foi de 14,3%. O preço médio por MWh do leilão (três usinas e quatro PCHs) foi de R$ 99,48.

Jari não vende energia

Para o presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Antonio Carlos Machado, o leilão desta sexta-feira foi um "sucesso" e transcorreu sem nenhum problema.

A usina de Santo Antônio do Jari (AP), já concessionada à ECE Participações e Jari Energética, não vendeu energia no leilão. "A energia pode ser vendida no mercado livre, sendo negociada bilateralmente, ou ainda pode haver a venda no leilão A-5 do final do ano", disse o diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, José Carlos Miranda Farias.

Além das três usinas hidrelétricas, foram negociadas a compra de energia de quatro Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), apesar de sete terem se inscrito. O preço-teto para todos os empreendimentos era de R$ 155 por MWh.

A PCH de Pirapora (SP), da Empresa Metropolitana de Água e Esgoto (Emae), vendeu energia pelo preço de R$ 154,49 por MWh. A potência da usina, localizada no Rio Tietê, é de 25 MW.

A PCH Canaã (RO), da Mega Energia e com 17 MW de potência, ofereceu um preço de R$ 153,98 por MW. A PCH Jamari (SE), também da Mega Energia e com potência de 20 MW, ofereceu um preço de R$ 154,23. Já a PCH Santa Cruz de Monte Negro, também da Mega Energia e também no Sergipe, ofereceu um preço de R$ 153,73 por MWh.

"É bom (três PCHs não terem vendido energia no leilão) porque elas podem vender energia no mercado livre... o leilão de fontes alternativas (em 25 e 26 de agosto) é uma nova oportunidade para as PCHs", disse o diretor da Aneel, Edvaldo Santana.

O valor total negociado no leilão foi de R$ 8,5 bilhões e o volume total de potência injetada foi de 808,9 MW. No total, a energia foi vendida a 27 diferentes compradores. (Carolina Marcondes)

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