Copersucar e Los Grobo decidem adiar IPO

Empresas alegam ''conjuntura de mercado desfavorável'' para interromper a oferta inicial de ações; em julho, já foram quatro suspensões

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

As incertezas do mercado levaram mais duas empresas a interromper suas ofertas iniciais de ações na BMF&Bovespa. Ontem, a brasileira Copersucar e o grupo argentino Los Grobo decidiram adiar seus planos para o mercado de capitais. No início do mês, a sucroalcooleira Tereos e a Perenco Petróleo e Gás já haviam suspendido suas aberturas de capital (IPOs).

No comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários, a Copersucar pediu a interrupção da oferta por um prazo de 60 dias úteis por causa da "atual conjuntura de mercado, desfavorável à realização da oferta neste momento".

Com os lotes suplementar e adicional, a companhia pretendia captar até R$ 2,7 bilhões - valor que lhe daria o título de maior IPO do ano. O início das negociações estava previsto para o dia 21 de julho. "A empresa foi com muita sede ao pote, fazendo uma oferta muito grande num momento ruim", disse Ricardo Almeida, professor do Insper. "Além disso, ela não declarou direito o que ia fazer com o dinheiro e que investimentos pretendia fazer: isso gera insegurança." Os pedidos de reserva feitos nas instituições financeiras consorciadas serão cancelados e os valores eventualmente pagos, devolvidos.

Com registro de capital aberto desde o dia 31 de maio, o grupo argentino de agronegócios Los Grobo confirmou ontem a agências internacionais que também retiraria sua oferta inicial de ações, sem detalhar por quanto tempo o plano de fazer IPO ficará suspenso.

A companhia, com operações na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, já anunciou que pretende transferir seus ativos no sul da América do Sul para a holding brasileira LG Agronegócios e Participações. Entre os sócios da empresa estão a família argentina Grobocopatel e a gestora Vinci Partners, de ex-sócios do Banco Pactual.

Para o professor do Insper, a interrupção dos IPOs é, em grande parte, reflexo das crises nos países europeus e nos EUA. "Num cenário em que há apreensão quanto à demanda futura para qualquer produto, é natural que as ofertas não emplaquem", afirma. "Para que captar se não vou investir?" Ele não acha, no entanto, que as próximas ofertas estarão comprometidas. "Tudo é uma questão de preço."

No primeiro semestre deste ano, 19 empresas captaram R$ 15,2 bilhões - montante que foi 12% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Entre as companhias que foram à bolsa entre janeiro e junho estão Brazil Pharma, Magazine Luiza, Arezzo e T4F.

A próxima da fila deve ser a Abril Educação. A empresa do grupo Civita, dona de editoras e sistemas de ensino, pode captar até R$ 670 milhões. O período de reserva terminou ontem. O registro da oferta na CVM está previsto para amanhã e a negociação dos papéis na bolsa, para o dia 26 de julho. A empresa será listada no Nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa. / COM AGÊNCIAS

PARA LEMBRAR

No primeiro semestre deste ano, outras três empresas cancelaram seus IPOs por causa do baixo interesse dos investidores: a produtora de cimento Liz; a Companhia de Águas do Brasil, controlada pela Galvão Engenharia; e a WTorre Empreendimentos imobiliários.

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