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Copom avaliou possibilidade de Selic cair só 0,25 pp

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta sexta-feira informou que a diretoria do Banco Central considerou a possibilidade de reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual. Segundo o documento, nessa avaliação foi considerada que o cenário de expansão do nível de emprego e da renda e o crescimento do crédito continuarão impulsionando a atividade econômica, com estímulo adicional dos efeitos do aumento do salário mínimo e dos "impulsos fiscais" que vêm ocorrendo desde o último trimestre do ano passado.Os últimos cortes no juro se somam a esse fatores de expansão do nível de atividade. Segundo o Copom, o desempenho favorável da inflação foi o que possibilitou uma queda maior da Selic. "À luz dessas considerações, o Copom avaliou a conveniência de reduzir a taxa Selic em 25 pontos-base. Apesar de entenderem que diversos fatores respaldariam tal decisão, os membros do comitê concluíram que neste momento uma redução de 50 pontos-base da Selic resultaria em maior adequação das condições monetárias correntes à melhora do cenário prospectivo para a inflação observada entre as reuniões de julho e de agosto", destaca o documento.Segundo a nota, o Copom vai avaliar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para definir os próximos passos da política monetário. A ata avalia que o cenário de inflação para o futuro continua benigno. O documento não faz referências ao resultado de 0,05% registrado pelo IPCA em agosto, abaixo do piso das estimativas do mercado, mas ressalta que o índice de preços deve "permanecer evoluindo segundo a trajetória das metas, com potenciais repercussões sobre o comportamento dos preços nos anos à frente." Preço da gasolina A ata afirma que aumentaram os riscos de que não se concretize um cenário de estabilidade nos preços da gasolina este ano, por conta da volatilidade no mercado de petróleo. "As previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza e as chances de um recuo mais significativo das cotações parecem pequenas no horizonte de curto prazo. Em conseqüência, o cenário central de trabalho adotado pelo Copom, que prevê preços domésticos da gasolina inalterados em 2006 vem se tornando progressivamente menos plausível e, portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização", afirma a ata, alertando que se essa tendência se confirmar, a elevação da gasolina será incorporada ao cenário do Copom para 2006. O documento lembra ainda que aumento nos preços do petróleo afeta a economia, por meio de "cadeias produtivas como a petroquímica e pela deterioração das expectativas de inflação". ParcimôniaA ata da última reunião reafirmou que os próximos passos na implementação da Política Monetária poderão ser dados "com maior parcimônia". Ao mesmo tempo, o Copom mantém a palavra "poderá", indicando que não necessariamente essa maior parcimônia será efetivada.A afirmação está no item 22 da ata, que repete, na íntegra, o que foi dito no item 20 da ata da reunião anterior. "O Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia. Essa ponderação se torna ainda mais relevante, quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007", afirma a ata, lembrando que há incertezas que cercam os mecanismos de transmissão de política monetária e também que a taxa de juros corrente está menos distante da taxa de juros que deverá vigorar em equilíbrio no médio prazo.ImportaçõesA ata diz que há uma tendência de início de uma nova dinâmica ("de ajustamento") para os fluxos comerciais. Apesar disso, os integrantes do Copom ressaltam que as perspectivas ainda são de continuidade na geração de saldos comerciais "vultosos" neste e no próximo ano. A ata destaca que, em julho, as importações 12 meses atingiram recorde histórico ao alcançarem a marca dos US$ 82,9 bilhões. As exportações, por sua vez, também aumentaram, no mesmo critério, e ficaram em US$ 128,1 bilhões, outro recorde histórico. IncertezasA ata também afirma que as incertezas que provocaram o aumento na volatilidade dos mercados internacionais persistem, apesar de essa volatilidade ter sido reduzida no últimos meses. As incertezas a que a ata faz referência são sobre o futuro da política monetária e da economia norte-americana. "Há evidências de pressões inflacionárias e os dados recentes mostram queda maior que a esperada nas vendas de imóveis, acentuando temor de desaceleração mais forte na economia norte-americana. Nos últimos dias esse receio provocou volatilidade nos mercados, principalmente nos mercados acionários norte-americanos", afirma a ata, nos capítulos 54 e 55.Diante desse cenário, o Copom reafirma, no capítulo 23, que vai se manter "especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos". E acrescenta: "evidentemente, na eventualidade de se verificar uma exacerbação de riscos, que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação neste momento, pelo comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias".IPCA A ata divulgada informa que a projeção para o IPCA, este ano, no cenário de referência do Banco Central, que leva em conta a taxa Selic constante em 14,75%, que era o nível antes da última reunião, e a taxa de câmbio em R$ 2,15, vai ficar abaixo da meta de 4,5%. Por esse cenário, também está abaixo da meta a projeção para o IPCA em 2007. No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e juros, apontadas pelos analistas, a projeção para o IPCA está abaixo de 4,5% para este ano, mas acima da meta de 4,5% para 2007. Na ata, o BC manteve sua projeção de reajuste zero para a gasolina este ano e de elevação de apenas 0,1%, no caso do botijão de gás. Também manteve inalterada a projeção de reajuste de 4,4% para os preços administrados em 2006 e reduziu discretamente de 6,2% para 6,1% a estimativa para os preços administrados em 2007.Produção IndustrialO Copom avalia que a queda na produção industrial em junho na comparação com maio foi determinada por fatores pontuais "de natureza não-recorrente". "De fato, para julho, os indicadores antecedentes e coincidentes da produção industrial sinalizam crescimento em relação a junho", diz o documento, acrescentando que a queda naquele mês não representa interrupção do processo de crescimento gradual do nível de atividade da economia.Segundo a nota, não só a produção industrial foi afetada, mas também outros indicadores relacionados à atividade econômica. Esses fatores pontuais, segundo o Copom, foram a Copa do Mundo, as paralisações programadas em plataformas da Petrobras e a greve da Receita Federal, que restringiram as importações de insumos para a produção. "Tais fatores influenciaram negativamente indicadores de produção, e em menor medida, de demanda para o mês".A ata voltou a fazer referência sobre fatores que estão estimulando o crescimento do nível de atividade nos próximos meses. Entre eles estão a expansão do nível de emprego e da renda, o crescimento do crédito, o novo valor do salário mínimo e o aumento nos gastos públicos, que vêm desde o último trimestre do ano passado e são esperados para o restante do ano, além obviamente dos cortes na taxa de juros que estão sendo realizados nos últimos meses. ComércioO documento ressalta que os dados do comércio varejista estão apresentando desempenho superior aos da produção industrial, refletindo as condições de demanda favoráveis. "Para o resto do ano espera-se a continuidade e o fortalecimento do comércio varejista, que deverá ser impulsionado pela expansão dos níveis do emprego e da renda, pelo crescimento do crédito e pelo processo de flexibilização da política monetária, aliados à própria recuperação da confiança do consumidor e aos impactos do aumento do salário mínimo", afirma a ata. Ainda na análise sobre o nível de atividade, o Copom explica que a queda no nível de utilização da capacidade instalada reflete "ao menos parcialmente, incrementos na capacidade produtiva". "Dessa forma, a despeito da continuidade da expansão da demanda agregada, ainda não se antecipam, descompassos relevantes, no que se refere a evolução da oferta agregada, ao longo dos próximos trimestres", ressalta a ata, lembrando que a trajetória da inflação está estritamente relacionada com a oferta de bens e serviços e sua ampliação adequada ao atendimento da demanda.Choque externoA ata diz que as incertezas sobre a política monetária dos Estados Unidos foram reduzidas desde julho. A diminuição, de acordo com o texto, ocorreu após a interrupção do ciclo de altas das taxas de juros nos EUA. "Por outro lado, ganhou importância o temor de que esse aperto monetário possa ter sido excessivo, e que, portanto, a economia estadunidense possa entrar em recessão", diz o documento. A ata reafirma que a economia brasileira está mais resistente a choques externos. Sobre a possibilidade de piora significativamente do cenário externo, o Copom continuou a atribuir baixa probabilidade de que isto venha a ocorrer. Ampliada às 12h45

Agencia Estado,

08 de setembro de 2006 | 09h15

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