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Copom cogitou uma redução menor para a taxa Selic

Os membros do Comitê de Política Monetária do Banco Central chegaram a pensar, na última reunião do Copom, em reduzir menos a taxa Selic. A ata da última reunião, divulgada nesta quinta-feira, revela que os membros do Comitê avaliaram a conveniência de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto porcentual. Mas a decisão final do Copom foi a redução de 0,50 pontos na taxa."Apesar de entenderem que diversos fatores respaldariam tal decisão e que a mesma contribuiria para aumentar a magnitude total do ajuste a ser implementado, os membros do Comitê concluíram que neste momento uma redução dos 50 pontos base na taxa Selic resultaria em maior adequação das condições monetárias correntes à melhora significativa no cenário prospectivo para a inflação observada entre as reuniões de agosto e de outubro", afirma a ata do Comitê. A taxa Selic foi reduzida, na última reunião do Copom, de 14,25% ao ano para 13,75%, em uma decisão unânime do grupo.O Copom volta a falar em "maior parcimônia" na condução do processo de flexibilização adicional da política monetária. Essa observação tem sido expressa pelos membros do Copom para indicar a necessidade de cautela na redução da taxa de juros."Tendo em vista os estímulos já existentes para a expansão da demanda agregada, as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia", afirma a ata.Segundo o Copom essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impacto concentrados durante o ano de 2007.Atividade EconômicaA atividade econômica vai continuar sendo impulsionada pela expansão do nível do emprego, da renda e do crédito, segundo avaliação dos diretores do BC divulgada na ata da última reunião do Comitê. Segundo o Copom, o aumento do salário mínimo e dos gastos do governo ocorridos desde o último trimestre de 2005 também vão ajudar no crescimento da economia brasileira."Como mencionado nas notas da reunião de agosto do Copom, a esses fatores devem ser acrescidos os efeitos da expansão das transferências em função do aumento do salário mínimo e dos impulsos fiscais ocorridos desde o último trimestre do ano passado", afirma a ata.O documento destaca ainda que os efeitos sobre a demanda agregada dos cortes de juros vão se somar a outros fatores que continuarão contribuindo de maneira importante para a sua expansão.InflaçãoO Copom continua atribuindo baixa probabilidade de pressões significativas sobre a inflação. Na ata da última reunião, o grupo destaca que os dados referentes à atividade econômica ainda sugerem expansão em ritmo condizente com as condições de oferta ao longo dos próximos trimestres.No entanto, os membros do Comitê reafirmam a avaliação de que a política monetária tem contribuído de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em períodos mais longos.Segundo a ata, a expansão das importações tem contribuído de forma relevante para esse processo, complementando a produção doméstica e, assim, aumentando as perspectivas de que os efeitos inflacionários do crescimento sustentado na demanda agregada continuem sendo limitados.O Copom avalia ainda que o cenário externo continua favorável, a despeito da perspectiva de consolidação de um ambiente de menor liquidez global, em virtude da elevação das taxas de juros dos países com economias industrializadas.Para o Copom, o cenário externo é particularmente favorável para o financiamento da economia brasileira. "Assim, ainda que se leve em conta que uma parcela dos resultados favoráveis para a inflação de curto prazo tende a apresentar reversão no futuro, o cenário para a trajetória da inflação permanece benigno", afirma o documento, ressaltando ainda que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro.PreçosA ata do Copom aponta que as projeções de Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) para 2006 e 2007 recuaram nos cenários de referência e de mercado. No cenário de referência (taxa Selic a 14,25% ao ano e câmbio de R$ 2,15), as estimativas de variação do IPCA continuaram abaixo da meta de 4,50% fixada para ambos os anos.As previsões de IPCA baseadas no cenário de mercado (com a trajetória de câmbio e juros esperada pelo mercado às vésperas do Copom) para 2006 também seguiram abaixo da meta central de 4,50%. Para 2007, as projeções de IPCA no cenário de mercado, apesar de menores, continuaram acima da meta de 4,50%. Os preços no atacado poderão continuar contribuindo favoravelmente para a acomodação dos preços ao consumidor, apesar da recuperação dos preços agrícolas. A ata destaca que houve "expressivo" avanço nos últimos três meses dos preços agrícolas, que passaram a mostrar inflação de 2% na comparação de 12 meses até setembro, ante deflação de 2,4% em agosto e de 6% em julho.O Copom reduziu ainda mais a projeção de reajuste dos preços administrados para 2007, que caiu de 6,1% para 5,4%. Na ata anterior, divulgada em agosto, a previsão já tinha caído de 6,2% para 6,1%. Já a projeção de reajuste de preços administrados em 2006 foi mantida em 4,4%. GasolinaO BC prevê que as chances de um aumento no preço da gasolina em 2006 diminuíram, o valor do produto deve ficar inalterado. "Apesar de ainda se manter em níveis nominais historicamente elevados, houve recuo importante das cotações desde a última reunião do comitê", afirma o documento.Os membros do Copom ressaltam, porém, que ainda assim os preços continuam apresentando volatilidade, refletindo, entre outros fatores, tensões geopolíticas. "É importante reconhecer, contudo, que a dinâmica observada nos últimos anos reflete, em grande parte, desequilíbrios estruturais no mercado de petróleo, sugerindo que houve uma mudança permanente de patamar nos preços do produto", afirma a ata. IndústriaA previsão do Copom é de que a produção industrial deverá ter uma queda em setembro em relação a agosto. "Para setembro, os indicadores antecedentes de coincidentes da produção industrial sinalizam redução em relação a agosto, na série ajustada para efeitos sazonais, mas crescimento da série mais estável de médias móveis trimestrais", diz a ata divulgada nesta quinta-feira.Esse recuo, de acordo com a avaliação do Copom, vai refletir o desempenho negativo esperado para a produção de veículos em função das paralisações que ocorreram ao longo do mês nas grandes montadoras de automóveis.O Copom destaca, no entanto, que a redução dos juros sugere que a tendência de expansão da indústria deve continuar nos próximos meses.RiscosA ata do Copom mostra que o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais teve uma "limitada" repercussão interna. "De fato, após a elevação registrada em maio, o risco soberano retomou a níveis historicamente baixos nos últimos meses", diz o documento. Para o Copom, o fato comprova o aumento da resistência do Brasil a choques externos.Sobre a trajetória de juros nos Estados Unidos, a ata da reunião do Copom, que reduziu os juros de 14,25% para 13,75% ao ano, afirma que a "avaliação dominante" é de que o ajuste da política monetária nos Estados Unidos já teria ocorrido.Esta matéria foi alterada às 10h47 para acréscimo de informações.

Agencia Estado,

26 de outubro de 2006 | 09h05

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