Copom corta taxa básica de juros em 0,25 ponto, para 13%

O Banco Central contrariou nesta quarta-feira a expectativa manifestada pelo governo durante o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e reduziu a taxa de juros com moderação. Os diretores se dividiram e por cinco votos a três decidiram pela redução de apenas 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, que passou de 13,25% para 13% ao ano. Os três diretores que foram voto vencido queriam uma queda de 0,50 ponto na Selic. Com essa posição, o BC reforça o conservadorismo na condução da política monetária, abandonando o processo de queda de 0,50 ponto na taxa que estava sendo praticado a cada reunião, desde junho do ano passado. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aconteceu dois dias após o anúncio do PAC, que prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões entre 2007 a 2010, período do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa postura mais conservadora do Banco Central é uma resposta à expansão de gastos e de crédito prevista no programa de crescimento de Lula. Desde o ano passado, quando o governo aumentou suas despesas para atender ao processo eleitoral, o BC - apesar de não suspender o processo de queda dos juros - deixou claro nas atas das reuniões do colegiado que o enfraquecimento da política fiscal no controle de gastos obrigaria a autoridade monetária a agir "com mais parcimônia". Ou seja, a opção por mais gastos significa cortes mais modestos na taxa básica de juros. Em comunicado divulgado ao final da reunião, o Copom procurou justificar a redução do ritmo de corte dos juros. Lembrou das incertezas que ainda existem sobre a velocidade de transmissão das reduções de juros feitas desde setembro de 2005, um total de 13 com a decisão desta quarta. "Os efeitos das reduções de juros desde setembro de 2005 ainda não se refletiram integralmente na economia", disse o comunicado. Ao mesmo tempo, o órgão procurou sinalizar que o processo de redução das taxas de juros poderá prosseguir nas outras sete reuniões previstas para este ano. "O Copom avalia que a decisão contribuirá para aumentar a magnitude do ajuste a ser implementado", disse o comunicado.Na manhã desta quarta, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou corrigir o constrangimento causado pelo seu comentário durante o lançamento do PAC, na segunda-feira, no Palácio do Planalto. "Eu fiz uma brincadeira, um comentário jocoso", disse o ministro ao explicar a cobrança, que atribuiu ao mercado financeiro, para que o Banco Central reduzisse com maior intensidade a taxa de juros."O mercado está esperando uma redução da Selic, viu, Meirelles?", afirmou Mantega na cerimônica do PAC, olhando para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que estava na platéia formada por autoridades do governo e políticos. Também nesta quarta, ao chegar ao Ministério da Fazenda para a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), Meirelles reagiu à brincadeira de Mantega afirmando que não existe pressão sobre o Copom. "O que existe é uma confiança de que o BC vai entregar a inflação na meta. E isso estabilizará os indicadores econômicos", disse. Com a queda de 0,25 ponto, o Tesouro faz uma economia de R$ 1,2 bilhão, em 12 meses, no pagamento dos juros da dívida interna que é indexada a variação da Taxa Selic, segundos cálculo da consultoria Tendências. Com um corte de 0,50, a economia poderia chegar aos R$ 2,3 bilhões. A taxa de juros real (taxa nominal descontada a inflação), que hoje está em 8,7%, deve cair para 8,6% ao ano, também de acordo com cálculo da Tendências. Desde setembro de 2005, a taxa real de juros já sofreu uma redução de 6,75 pontos porcentuais. No próximo dia 1º de fevereiro, o BC deve divulgar a ata da reunião de ontem, explicitando os motivos que provocaram a divisão no colegiado. O Copom volta a se reunir nos dias 6 e 7 março. Matéria atualizada às 21h45

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