Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Copom decide se há fatos novos

Análise: José Francisco de Lima Gonçalves

ECONOMISTA-CHEFE DO BANCO FATOR, PROFESSOR DA FEA-USP, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h08

O Copom se reúne pela primeira vez depois de surpreender os analistas ao reduzir a Selic em 0,5% em agosto. Após seis semanas, algumas mudanças são de se notar.

Desde logo, a divulgação dos indicadores antecedentes das principais economias do mundo pela OCDE impressiona pela completa direção para baixo dos indicadores, em alguns casos já abaixo da média histórica. Em segundo lugar, os desdobramentos da crise do euro levam os preços dos ativos a flutuações sem tendência perceptível, a não ser pelas commodities. Em terceiro lugar, nos EUA, as expectativas continuam deprimidas e o melhor cenário é de expansão adicional no balanço do Fed. Finalmente, as notícias sobre a China são assustadoras.

Por outro lado, as expectativas sobre a atividade econômica no Brasil conheceram alguma deterioração. A variação negativa do varejo em agosto foi acompanhada por alguma desaceleração na variação anual (de 7,1% para 6,2%). A divulgação do ICB-BR pelo BC para agosto trouxe leve contração, sugerindo crescimento do PIB no terceiro trimestre perto de zero e chegando por baixo. Com isso, a expansão anual do PIB ficaria limitada a 3,1%.

Quanto desses números reflete desaceleração da demanda, porém, fica por explicar. De fato, a produção industrial tem apresentado tendência de queda expressiva, mas o mesmo não se pode dizer do emprego, principalmente dos serviços. A contratação indicada pelo Caged mostra que 40% das novas vagas se deram naquele segmento da economia.

A inflação em 12 meses bateu nos 7,3% em setembro e deve começar a recuar em outubro, fechando o ano, porém, ainda em torno de 6,5%. Voltar a inflação para baixo de 6% será feito caso os choques do fim de 2010 e do começo deste ano não se repitam. Mas levar a inflação aos 4,5% em 2012 demandará que a política monetária contracionista do primeiro semestre se some ao efeito desinflacionário externo e supere a resistência dos preços dos serviços. A ver.

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