Copom deve manter a taxa Selic em 19%

O Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar hoje a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 19% ao ano. Para os analistas, a pressão de alta sobre o dólar impede uma redução dos juros, ainda que os principais bancos centrais do mundo estejam cortando as taxas e a economia esteja em forte desaceleração (veja mais informações no link abaixo). "O Brasil não tem condições de baixar os seus juros neste momento", afirma o economista-chefe para a América Latina do banco ING Barings, Larry Krohn. "O real está muito enfraquecido, impedindo que o País se beneficie da redução dos juros orquestrada pelos principais bancos centrais do mundo." O ex-diretor de Política Econômica e professor da FGV, Sérgio Werlang, entende que a pressão extra sobre o câmbio dificulta uma queda das taxas, devendo levar o BC a ser conservador na condução da política monetária. Ele ressalta, no entanto, que não há nenhuma necessidade de elevar a taxa Selic neste momento. Werlang lembra que a desaceleração da economia é bastante forte, como ficou ainda mais claro depois que o IBGE anunciou a queda de 0,99% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre em relação ao primeiro. "E os números divulgados não tiveram quase nenhuma influência das altas mais fortes dos juros promovidas em junho (1,5 ponto porcentual) e julho (de 0, 75 ponto). Fraga desmente informaçãoO presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, esclareceu ontem não ter dito que a Selic não vai cair mais em 2001. "Em nenhum momento afirmei que os juros não serão reduzidos este ano. Nem mesmo fui indagado especificamente sobre isso." O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, é um dos poucos a entender que o Copom poderia baixar os juros, embora diga ter certeza de que a instituição vai manter a Selic. O economista não vê sentido em se manter os juros tão altos. Para ele, o dólar não pode ser pretexto para não se reduzir a taxa. Segundo ele, se o câmbio é flutuante, o governo deveria deixar que o preço do dólar fosse definido pelo mercado. Além disso, do ponto de vista da inflação, a desvalorização chega aos índices de inflação pela via de preços administrados e tarifas públicas, cujos preços foram reajustados e não serão mais influenciados pelo dólar a curto prazo.

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