Copom deve manter juros em 19%

O Comitê de Política Monetária (Copom) define hoje a Selic, a taxa básica de juros da economia, que está atualmente em 19% ao ano. A expectativa dos analistas é de manutenção dos juros neste patamar devido aos índices de preços divulgados nas últimas semanas, mostrando que a inflação continua pressionada. A segunda prévia do Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas deste mês, por exemplo, ficou em 0,32%, abaixo do 0,47% registrado na primeira. No entanto, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem um peso de 30% no IGPM, subiu de 0,59% para 0,78%, um número elevado.O economista-chefe do Banco Lloyds TSB, Odair Abate, lembra ainda que o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial do regime de metas inflacionárias, está pressionado. Em dezembro, enquanto o IPCA cheio ficou em 0,65%, o núcleo calculado pela metodologia de médias aparadas - em que se excluem as maiores e as menores variações de preços - atingiu 0,78%. Abate ressalta também que o BC estima uma inflação de 3,7% neste ano - com base num dólar a R$ 2,35 e juros em 19% ao ano -, acima do centro da meta, de 3,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. O economista Fernando Honorato Barbosa, do BBV Banco, diz que o Copom nunca reduziu os juros quando a previsão do BC para a inflação estava acima do centro da meta. Além disso, a alta dos preços de produtos agrícolas no começo do ano tem superado as projeções dos analistas, ao mesmo tempo em que os combustíveis caíram menos do que o esperado, afirma ele, que também acredita na manutenção dos juros. Abate entende que o câmbio não seria um obstáculo à queda dos Selic, pois o dólar está relativamente acomodado. "E a Argentina, embora mereça atenção, não é uma fonte de muita preocupação." O diretor de Asset Management do Banco Inter American Express, Marcelo Allain, é um dos poucos que vêem espaço para um corte de juros agora, por entender que as pressões sobre a inflação são transitórias. Além disso, o comportamento do câmbio e o fluxo de investimentos diretos também tornariam possível uma redução das taxas. "Mesmo assim, acho que o Copom vai ser conservador e manter a Selic."

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