Copom deve reduzir Selic a 9% e parar para ver conjuntura, diz Delfim

Ex-ministro da Fazenda lembrou que a remuneração da caderneta de poupança é um dos principais empecilhos para que o BC continue a trajetória da redução da Selic para baixo de 9%

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 15h33

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, afirmou que o Copom deve cortar os juros em 0,75 ponto porcentual e parar por um tempo o movimento de redução da Selic iniciado pelo BC em 31 de agosto. "O BC deve fazer uma parada para avaliar a conjuntura", destacou.

Segundo Delfim, contudo, a questão que envolve a remuneração da caderneta de poupança é um dos principais "empecilhos" para que o BC continue a trajetória da redução da Selic para baixo de 9%. De acordo com ele, há fundos de investimentos que deixam de ser interessantes para clientes, com taxa de administração de 1,5%, em relação ao atual patamar de juros da economia.

Ele destacou que o calendário eleitoral não deveria ser uma dificuldade para o governo tentar convencer a sociedade de que a nova poupança, com uma remuneração mais flexível, seria melhor, inclusive para a redução dos juros das operações financeiras.

Spread

O ex-ministro afirmou que os comentários do presidente da Febraban, Murilo Portugal, de que a "bola estava com o governo" sobre as negociações para a redução do spread bancário não foi positiva. "Aquilo foi uma infelicidade verbal que acabou gerando uma grande batalha num copo de água", disse.

Para Delfim, a queda dos spreads pelos bancos é importante para estimular a economia. "A decisão de reduzir os spreads é dos bancos", destacou. Perguntado se as margens de lucro de 33% dos bancos é um patamar bom, ele respondeu: "Se eu fosse banqueiro diria que sim, mas se fosse um consumidor certamente falaria que não", disse.

Câmbio 

Delfim Netto, afirmou que o governo está correto em diminuir a valorização do real ante o dólar. "Não sei se cotação do câmbio a R$ 1,90 é bom, mas é seguramente melhor do que R$ 1,50", disse.

Segundo Delfim, o governo está certo nas políticas de fomento à indústria e de combate de valorização do câmbio. "Ele está no caminho certo, com o Programa Brasil Maior", disse. (Ricardo Leopoldo)

PIB 

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto afirmou que o PIB deve crescer 3,6% ou 3,7% neste ano. Ele acredita que o nível de atividade deve pegar tração nos próximos meses a ponto de levar o produto interno bruto para um patamar de expansão de 4% no quarto trimestre ante o mesmo período de 2011. "Mas o PIB será aquilo que construirmos, a questão está aberta", disse.

Delfim destacou que o PIB do País subiu 2,7% em 2011 sobretudo porque a indústria ficou estagnada e apresentou um incremento de apenas 0,1%. "Se a indústria tivesse crescido entre 3% e 3,5%, como foi registrado nos últimos anos, o produto interno bruto teria crescido 3,8% no ano passado", destacou. Ele fez os comentários antes de participar de um seminário promovido pelo Sebrae em São Paulo, que terá a participação do prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman.

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