Copom deverá manter a Selic

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) tinha deixado claro que a taxa Selic não seria modificada tão cedo. No entanto, logo depois da sua publicação, dividiram-se as opiniões do mercado a respeito da manutenção da Selic em 8,75% por um longo tempo - especialmente após o presidente da República dizer que ainda havia espaço para sua redução.Ocorre que na atual conjuntura, em que o governo quase só pensa nas eleições, o mercado tem dúvidas sobre o empenho de Lula em manter, como tem feito até agora, a independência do Banco Central (BC).O mercado financeiro, no tocante às taxas de juros futuros, passou por fases diversas. Num primeiro tempo as reduziu, reconhecendo que tinha fundamento o aviso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, de que a curva dos juros futuros estava exagerada.Porém, uma vez feito o ajuste à decisão das autoridades monetárias, surgiu uma tendência de baixa que parecia uma aposta em nova redução na próxima reunião, de 1 e 2 de setembro - ainda mais que a pesquisa Focus vinha prevendo, com constância, uma queda nos índices de preços, o que levou à visão de que o Copom não manterá a Selic no atual nível.Na realidade, o mercado futuro esteve bastante volátil nas últimas semanas, em razão das flutuações da conjuntura econômica nacional ou internacional.No entanto é muito provável que, na sua reunião da semana que entra, o Copom não mude a atual taxa básica, reservando-se para examinar se isso se justificaria, para nos próximos meses, então sim, rever sua decisão de estabilidade da Selic.Há argumentos de sobra que recomendam atuar com muita cautela. De fato, os membros do Copom até agora se mostraram muito tímidos nas suas análises sobre o que chamam de "transferências governamentais", parecendo terem um compromisso com o presidente Lula de não criticar a política do governo. Porém não menosprezam a deterioração das finanças públicas, seus efeitos sobre a dívida pública e sobre a evolução da base monetária. E sabem que existem fatores capazes de gerar uma retomada das pressões inflacionárias.O presidente do BC explicou, em Nova York, que a redução dos compulsórios dos bancos foi uma medida rápida anticrise e que ainda há margem para reduzi-los sem tocar na Selic. Se permanecer por mais alguns meses dirigindo o BC, saberá usar os instrumentos com habilidade, mas também com firmeza.

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