Copom deverá manter a Selic por muito tempo

Não se podia imaginar que as autoridades monetárias fossem mudar a taxa Selic de 7,25% ao ano, depois de terem declarado que o nível atual lhes parece o mais adequado para administrar a inflação.

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h52

A decisão, nada surpreendente, de mantê-la - que todos haviam antecipado - deixa a pergunta sobre quando o Comitê de Política Monetária (Copom) considerará apropriado mexer na taxa de juros básicos e se, uma vez mantida, recorrerá a outros instrumentos para enfrentar eventuais pressões inflacionárias.

Dois fatores importantes poderão afetar, adiante, a condução da política monetária. Primeiro, o consenso de que a tentativa de segurar de modo artificial a inflação, recusando-se, até agora, a reajustar o preço da gasolina - o que obriga a Petrobrás a assumir esse subsídio -, não se poderá prolongar por muito tempo. Tudo indica que, em 2013, o reajuste desse preço se tornará necessário, com efeito não desprezível sobre os índices de inflação, o que poderia servir de pretexto para que o Copom aprovasse alguma pequena alta da taxa Selic.

O outro fator, mais sutil, que poderia levar a autoridade monetária a recorrer à taxa Selic é que a forte redução dessa taxa não foi acompanhada, até agora, por uma queda proporcional das taxas de juros exigidas pelas instituições financeiras, apesar de os bancos públicos terem forçado essa redução.

Ao comentar os dados sobre o crédito, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, assinalou que o juro médio para as pessoas físicas, até o dia 19 de novembro, subiu de 35,4% para 36,3% ao ano, numa inflação que deverá ser inferior a 5,5%. Enquanto isso, no mesmo período, o spread para o crédito pessoal aumentou 0,9 ponto porcentual, em razão da elevação da inadimplência, que passou de 6%, em setembro, para 6,2%, no mês seguinte. Um aumento da Selic poderia representar uma pressão para taxas menores.

Fala-se do uso de medidas macroprudenciais para conter algumas pressões inflacionárias. A mais eficiente seria a redução do crédito, porém o governo, empenhado em favorecer a demanda doméstica, não gostaria de usá-la, especialmente quando mobiliza bancos públicos para aumentar o crédito. Até o dia 19 de novembro, registrou-se uma expansão do crédito de 16,6%, ligeiramente acima do valor almejado, de 16%. E em outubro houve recuo na média diária de concessões. Numa fase em que a rentabilidade dos bancos está caindo muito, não se pode exigir que corram um risco maior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.