Copom é criticado por consultor do Iedi e executivos

Com a alta de 0,50 ponto na Selic, taxa básica de juros, anunciada nesta noite, "o Banco Central deu início a um processo extremamente perigoso para a economia brasileira", afirmou o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida. Para ele, "é um sinal de que o BC quer reduzir muito expressivamente a demanda".Gomes de Almeida considera que uma alta dessa magnitude "não é um aumento meramente simbólico, deve ter um efeito grave na desaceleração do crescimento da economia". O economista acredita que "mais importante que o aumento do custo do crédito para o setor privado é que a alta de 0,50 ponto infelizmente diz para os nossos empresários não investirem tanto, para os bancos não emprestarem tanto para os consumidores e, com isso, a economia vai sofrer".O economista citou ainda um efeito adicional da alta dos juros, que estará claro, segundo ele, já a partir de amanhã e consiste numa depreciação ainda maior do dólar ante o real. "Infelizmente isso trará mais problemas para a balança (comercial)", alertou.IbefO Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-SP) avaliou como "precipitada" a decisão de alta de meio ponto na Selic. Para o instituto, que reúne os diretores de finanças de empresas nacionais e multinacionais, o setor produtivo teria condições de enfrentar o aumento da demanda caso a taxa tivesse sido mantida em 11,25% ao ano. "O setor produtivo estava voltando a se expandir, aumentando a capacidade instalada e ajudando a consolidar um cenário de segurança para as metas de inflação", sustentou, em nota, o presidente do Conselho de Administração do Ibef-SP, Walter Machado de Barros.Machado de Barros ponderou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem sido pressionado pelos alimentos e bebidas e pelas tarifas de energia e água e esgoto. "São pressões pontuais, que não indicam um processo de aumento inflacionário. Por uma questão de bom senso e serenidade, o BC não deveria ter aumentado a Selic neste mês", argumentou.Segundo ele, a manutenção dos juros seria mais eficiente para manter a economia equilibrada. "O melhor teria sido uma sinalização de apoio aos investimentos, estimulando o crescimento da cadeia produtiva como ''antídoto'' para o aumento de demanda". O dirigente do Ibef-SP alertou que a política monetária, torna difícil a manutenção do ritmo que vinha sendo registrado nos investimentos no setor produtivo. "Viveremos um momento, desnecessário, de desaceleração", lamentou.FirjanA Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também divulgou nota na qual lamenta a elevação da taxa básica de juros. A decisão "é mais custosa do que benéfica ao País", afirma a Firjan. "De um lado, implica em aumento do custo de carregamento da dívida pública e piora do ambiente de negócios para o investimento privado. De outro, é discutível o efeito direto dos juros mais elevados sobre os preços dos alimentos. Nesse sentido, melhor seria aumentar o papel da política fiscal no controle da demanda. Assim, são recomendadas ações para reduzir os gastos correntes do governo, que vêm não apenas crescendo acima do PIB, como acelerando-se frente a 2007."

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