carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Copom indica maior chance de alta de juros

Ata da reunião do Copom demonstra preocupação com a inflação, mas indica que o BC vai avaliar medidas de aperto no crédito antes de subir a Selic

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2010 | 00h00

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central subiu o tom ao tratar da inflação, admitiu que os preços subiram com mais força do que o esperado nas últimas semanas e passou a indicar maior chance de aumento do juro no ano que vem.

Para iniciar o aperto monetário, contudo, o Copom defendeu, na ata de sua última reunião de 2010, que é preciso aguardar o efeito das medidas anunciadas no início do mês para conter o crédito. Essa ponderação reforçou a dúvida sobre quando o BC deve iniciar a subida do juro.

Essa foi a última ata da gestão de Henrique Meirelles.

Preocupação. Com um discurso mais preocupado que nos últimos documentos, os diretores do BC admitem a piora do cenário inflacionário. "Desde a penúltima reunião (em agosto), a inflação foi forte e negativamente influenciada pela dinâmica dos preços de alimentos", reconhece o texto.

Mesmo que parte desse reajuste seja sazonal - gerado pelos alimentos - o cenário começa a preocupar o BC porque a alta tem contaminado a expectativa para a inflação futura.

O comitê também chamou atenção para "a persistência do descompasso entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda". Ou seja, a procura do consumidor por bens e serviços cresce em um ritmo mais rápido do que a capacidade das empresas de aumentar a oferta dos produtos. Se durar por muito tempo, esse descompasso eleva o risco de aumento nos preços.

Economia mundial. Uma novidade importante da ata foi a piora de humor com a contribuição da economia mundial para os preços. Até outubro, o BC dizia que a letargia das economias desenvolvidas gerava uma contribuição "desinflacionária" para os preços. Mas, diante da remarcação de preços que começa a ser vista em alguns países e com a diminuição da preocupação de deflação em outros, o comitê entende que o quadro internacional passou a ser "ambíguo". Ou seja, o setor externo pode, em vez de aliviar, aumentar a pressão por reajustes.

Esses fatores levaram o BC a identificar riscos adicionais de que a inflação pode não convergir com o centro da meta de 4,50%. Nas estimativas do BC para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação em 2010 está "sensivelmente" acima do centro da meta e para 2011, "acima do valor central".

Mesmo com vários argumentos que respaldariam a tese de aumento do juro, o BC entende que é preciso esperar. "As medidas macroprudencias recentemente anunciadas ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços", diz a ata.

"A ata não dá sinalização clara sobre o "timing" (momento) do reinício do ciclo de alta dos juros, porém indica alta da Selic em 2011", diz o economista-chefe do Banco Safra, Cristiano Oliveira. Para ele, o documento deixa claro que a subida da Selic é "inevitável" no próximo ano. .

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.