Copom já prevê inflação acima da meta em 2002

Pela primeira vez, o Banco Central reconheceu que a inflação medida pelo IPCA ficará acima do teto da meta fixada pelo governo para esse ano de 5,5%. A confirmação do estouro da meta está na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que foi divulgada pelo Banco Central. "A manutenção da taxa de juros em 18,5% ao ano e da taxa de câmbio no patamar que prevalecia na véspera da reunião do Copom apontam para um inflação acima de 5,5% em 2002", reconheceram os diretores do BC, na ata. Os diretores do BC acreditam que a inflação livre pode aumentar nos próximos meses, em função do repasse da depreciação cambial para os preços. Entretanto, os diretores ressaltam, na ata da reunião da semana passada do Copom, que esse repasse poderá ser limitado. "Esse impacto poderá ser limitado pela dificuldade de as firmas repassarem o aumento dos custos associados à variação cambial, em função do crescimento mais lento da economia", afirmam os diretores na ata. Na avaliação do BC, a forte desvalorização do câmbio e os aumentos nos vários prêmios de risco nos mercados decorrem das "incertezas" quanto à conjuntura internacional e à futura "condução política macroeconômica" no Brasil. "Essa combinação de elevação na aversão ao risco das empresas e bancos globais e percepção de fragilidade no Brasil requer uma resposta que vai além da política monetária", enfatizam.Apesar disso, na reunião, o Copon decidiu, por cinco votos contra dois, reduzir a taxa Selic de 18,5% para 18%. Para 2003, a ata afirma que inflação ficará abaixo da meta de 4%. O Banco Central admitiu, na ata da última reunião do Copom, que a elevação da meta de inflação para 2003 e a fixação em 3,75% da meta para 2004 abriram espaço para a redução da taxa de juros. "A mudança da meta para 2003 e a definição de 3,75% como meta para 2004 abrem espaço maior para acomodar eventuais revisões para cima das projeções, caso se concretizem cenários alternativos", afirma o documento. "Em função disso, os membros do Copom concordaram que existe espaço para a flexibilização da política monetária", acrescenta o BC na ata. O documento chama a atenção para o fato de que o cenário básico traçado pelo Copom projeta para 2003 uma inflação "significativamente abaixo" da meta de 4%. Também ressalta que, nesse cenário básico, a trajetória de queda da inflação dos preços livres observada este ano deve persistir ao longo dos próximos 18 meses. Mesmo assim, não houve consenso entre os integrantes do Copom sobre a decisão de reduzir a taxa Selic. A ata da reunião afirma que dois integrantes do Copom consideraram que a turbulência no mercado financeiro gera incertezas sobre as projeções de inflação. Para esses dois membros do Copom, a redução dos juros só seria recomendável no momento em que a situação no mercado financeiro se estabilizasse. Eles votaram pela manutenção da taxa de juros em 18,5%, com viéis de baixa. Prevaleceu, no entanto, a decisão dos outros cinco membros do Copom, que consideraram que a previsão de inflação para 2003 e a confiança de manutenção no futuro de um "arcabouço macroeconômico responsável" recomendava a necessidade imediata da redução da taxa de juros.O Comitê de Política Monetária acredita, segundo a ata de sua última reunião, que se os candidatos à Presidência da República se comprometerem com a manutenção de uma política macroeconômica ligada à responsabilidade fiscal e monetária, e com o cumprimento de contratos, será possível ao País obter apoio financeiro da comunidade internacional. De acordo com a ata, essas políticas não têm "cunho ideológico ou partidário" e representam uma "condição essencial" para garantir a segurança econômica, crescimento e desenvolvimento do País. "É razoável, portanto, que se espere a sua manutenção na próxima administração, o que vem sendo sinalizado pelos principais candidatos à Presidência", afirmam os diretores do BC, na ata. "Esse compromisso possibilitará, se necessário, um maior apoio financeiro da comunidade internacional", completam os diretores.

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