Copom mais aberto, mas prudente

A leitura da Ata da 128ª reunião do Copom, terminada em 18 de julho, permite reflexões variadas, mas seguramente faz pensar que, na próxima, de 4 e 5 de setembro, não se deve esperar um corte da Selic superior a 0,25 ponto porcentual.O novo Copom, incontestavelmente, tem uma visão diferente do anterior: a entrada de dois novos membros gerou uma abordagem mais econômica e menos monetarista. Na Ata da 127ª reunião já se mencionara o câmbio como fator de contenção da inflação e, na que acaba de ser divulgada, as autoridades monetárias dão atenção ainda maior a esse fator, como querendo justificar, pela evolução da inflação, o fato de continuarem reduzindo com certa generosidade a taxa Selic. Na nossa opinião, trata-se de um meio elegante de reconhecer - sem dizer - que, no passado, o Copom manteve uma taxa excessivamente alta por período também excessivo. Com isso favoreceu as instituições financeiras, ao passo que uma Selic menor teria bastado para conter a inflação.Agora, ao atribuir ao câmbio função importante na contenção da inflação, as autoridades monetárias seguem um caminho perigoso, pois impedem os responsáveis pela política econômica de adotar medidas para conter a valorização do real.É relativamente otimista a visão do Copom sobre a evolução da economia. Considera que a demanda interna continuará crescendo, inclusive em setores pouco expostos à competição externa. Sua preocupação com o ritmo de crescimento econômico é contrabalançada pelo fato de as importações não permitirem que o aumento da demanda pressione os preços e, também, porque os investimentos que estão sendo implantados agora surtirão efeito pleno daqui a algum tempo, evitando que se amplie o desnível entre a produção e o consumo.A previsão de que na próxima reunião o Copom não irá além de um corte de 25 pontos básicos se baseia em dois parágrafos: no 22º, no qual os membros a favor de um corte menor explicam que isso, num quadro de sólida expansão da demanda doméstica, "contribuiria para estender no tempo o processo de flexibilização"; e no 20º, no qual "os membros do Copom entendem que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico (...) demandará que, a partir de um determinado ponto, a flexibilização da política monetária passe a ser conduzida com maior parcimônia"...

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