Copom: mercados já esperavam decisão

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, há pouco, manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, nos atuais 19% ao ano, sem viés. Isso significa que os juros ficarão neste patamar até a próxima reunião do Comitê, em 18 e 19 de dezembro. A nota divulgada ao final da reunião, afirma que "após avaliar a evolução recente da economia e as perspectivas para a trajetória da inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 19%, sem viés." A ata da reunião será divulgada na quinta-feira da próxima semana.A decisão do Comitê não deve provocar reação nos mercados amanhã, dado que a maioria dos analistas já esperava pelo resultado, em função da pressão de alta sobre os índices de inflação. No acumulado do ano, até outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como base para a meta de inflação, apresenta uma alta de 6,22%. O limite máximo para a inflação neste ano, segundo a meta, é de 6%. Segundo os analistas, a forte alta do dólar durante o ano - que até ontem apresenta uma valorização de 30,39% frente ao real - é o principal motivo para a pressão inflacionária. Na próxima reunião, em dezembro, muitos analistas já acreditam em um corte de juros em torno de 0,5 ponto porcentual. Para este cenário, contribui a perspectiva de que o dólar deve ficar em patamares mais baixos nos próximo ano. Isso porque espera-se uma saldo positivo maior para a balança comercial, o que aumenta a entrada de dólares no mercado interno, favorecendo a baixa das cotações. A última pesquisa do Banco Central (BC) revelou que o superávit - exportações maiores que importações - deve ficar em torno de US$ 4,9 bilhão no próximo ano, mas alguns analistas mais otimistas já falam em US$ 6 bilhões. A queda do preço do barril do petróleo é outro fator importante neste cenário, já que reduz a pressão sobre os índices de inflação.Incertezas Apesar da melhora das expectativas em relação às contas externas do Brasil em 2002, analistas apontam alguns pontos de incerteza que podem voltar a pressionar para cima as cotações do dólar. Segundo o ex-diretor do BC e sócio da MCM Consultores, José Júlio Senna, são eles: uma possível desvalorização do peso argentino, que vem sendo veementemente negada pelo governo da Argentina mas é um risco não afastado; a retomada da atividade econômica nos Estados Unidos esperada para o primeiro semestre de 2002, mas que ainda não pode ser dada como certa; e as eleições presidenciais no Brasil no próximo ano.Um cenário de alta para o dólar pode voltar a pressionar os índices de inflação, o que impede a queda das taxas de juros. Segundo a pesquisa do BC, os analistas acreditam que a inflação em 2002 será de 5,11% - muito próximo ao limite máximo para a meta, de 5,5% no acumulado do ano - e a perspectiva para a taxa Selic no final do ano é de 17% ao ano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.