Copom não surpreende e mantém Selic em 19%

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 19% ao ano. Segundo apurou o editor Gustavo Freire, o comunicado divulgado no final da reunião afirmou que "o recuo da inflação em ritmo mais lento do que o esperado levou o Copom a manter a taxa Selic em 19%". O Copom também decidiu pelo viés neutro, o que significa que os juros ficarão neste patamar até a próxima reunião, nos dias 19 e 20 de fevereiro. A ata da reunião deste mês será divulgada na próxima quinta-feira, dia 31 de janeiro.O resultado da reunião mensal do Comitê não surpreendeu os analistas. O economista do Citibank, Robério Costa, concorda com a justificativa do Comitê para a manutenção dos juros neste patamar. Ele afirma que, de fato, esperava-se um recuo dos índices de inflação em janeiro, o que não aconteceu. Segundo ele, esta expectativa foi frustrada devido ao preço dos combustíveis e dos produtos agrícolas. "O preço da gasolina não caiu e a provável redução de 14% a 15% deve ter impacto nos índices de inflação de fevereiro, pois os postos começaram a alterar seus preços agora. Além disso, o preço dos produtos agrícolas continua elevado devido às fortes chuvas que prejudicaram a produção", esclarece o economista.Costa acredita que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como base para as metas de inflação, deve encerrar este mês com uma alta de 0,5%. Segundo ele, a meta inflacionária de 3,5% - com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais - é considerada apertada, o que justifica a maior cautela do Comitê, mantendo os juros no patamar atual.O sócio e diretor-executivo da GAP Asset Management, Emanuel Pereira da Silva, também concorda com a decisão do Comitê. "Apesar da melhora nos indicadores macroeconômicos e do cenário global, os índices de preços continuam desfavoráveis, deixando pouco espaço para que o BC optasse pela redução nas taxas de juros", avalia. Os últimos sinais da inflação fizeram com que Silva alterasse sua expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de 0,5% para 0,7% em janeiro.O economista do Citibank acredita que o Copom deva reduzir os juros apenas em sua reunião de março, mas, segundo ele, isso pode ser antecipado para fevereiro, caso os índices de inflação recuem de forma significativa. O estrategista do JP Morgan, Luis Fernando Lopes, avalia que a preocupação com os índices de inflação no início deste ano e a cautela do Comitê em relação ao corte de juros não mudam a perspectiva de queda das taxas de juros durante este ano. Robério, do Citibank, prevê que a taxa Selic esteja em 17% ao ano no final de 2002.Pressão sobre o dólar pode ser menorNo final da semana passada, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, justificou oficialmente ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, o não cumprimento da meta de inflação no ano passado - de 4%, com possibilidade de alta ou baixa de dois pontos porcentuais. O IPCA encerrou o ano em 7,61%, acima, portanto, do teto de 6%. Uma das justificativas de Fraga foram os choques externos - crise argentina e desaceleração da economia norte-americana - que pressionaram as taxas de câmbio, influenciando a inflação.O economista do Citibank acredita que, sob este aspecto, o risco de não cumprimento da meta em 2002 é menor, na comparação com o ano passado. Isso porque a crise argentina deve ter impacto menor sobre os mercados no Brasil neste ano, dado que os ativos já absorveram grande parte deste problema. "Mas o desaquecimento da economia dos Estados Unidos ainda pode provocar instabilidade no mercado de câmbio", alerta Costa.Ele avalia que o equilíbrio no mercado de câmbio deve ser favorecido por uma entrada positiva de recursos para o mercado brasileiro. "A perspectiva de um saldo positivo para a balança comercial neste ano, em torno de US$ 5 bilhões está mantida", afirma. Os primeiros números da balança comercial em 2002 são considerados muito bons, segundo Costa. No acumulado de janeiro, até o dia 20, o saldo é positivo em US$ 12 milhões. No ano passado, no acumulado do mês de janeiro, o saldo da balança comercial estava negativo em US$ 478 milhões.

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