Copom não surpreende mercado

O Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou a expectativa da maior parte do mercado e manteve inalterada a taxa referencial da economia, a Selic, em 21% ao ano, sem viés. A decisão, tomada por unanimidade, era esperada por 19 dos 20 economistas ouvidos pela Agência Estado. E deve justificar algum recuo das taxas projetadas no mercado de futuros ao longo da tarde.O comunicado divulgado pelo Copom praticamente não fez comentários sobre a decisão. "O Copom decidiu, após avaliar o quadro econômico, manter a taxa Selic em 21% ao ano, fixada na reunião extraordinária no dia 14, sem viés", afirmou a nota do Comitê. A próxima reunião do Copom acontece nos dias 19 e 20 de novembro. A ata da reunião de hoje será divulgada na quarta-feira que vem (30/10) às 13h30.O mercado apostou na manutenção porque entende que a alta da Selic na segunda-feira da semana passada em reunião extraordinária não teve tempo hábil para fazer efeito. A divulgação da inflação medida pelo IGP-M, da Fundação Getúlio Vargas, chegou a assustar, mas prevaleceu a tese de que o juro de 21% só sensibilizará a economia dentro de, pelo menos, seis meses. Assim, dizem esses profissionais, não haveria razão para uma nova alta do juro. E o mercado considera que até mesmo na reunião de novembro poderá ser precipitado voltar a subir a Selic, ainda que a inflação não tenha recuado.Operadores destacam também que é possível perceber uma melhora, ainda que tímida, das expectativas em relação ao próximo governo - o que poderia, se consolidada, gerar algum alívio sobre o câmbio, principal vilão da inflação. "Já é possível perceber que as pessoas estão com medo de apostar contra neste momento e que há uma sensação de que a alta do dólar já foi longe demais", acredita um operador. "Se a próxima equipe for forte, então o mercado passará a vislumbrar um cenário de retomada de linhas de financiamento e os bancos terão que sair desovando dólares", completa.Profissionais observam que, por conta de discursos e declarações de pessoas ligadas ao PT, já perdeu força o medo de um calote ou reestruturação da dívida, que chegou a gerar um grande estresse há algumas semanas. "É claro que o mercado quer ouvir o que o próximo governo terá a dizer quando estiver eleito, mas o medo de uma reestruturação da dívida perdeu a força", afirma um operador. CambioO dólar recuou com força durante a maior parte da manhã e perdeu fôlego perto do encerramento do período. Na mínima da manhã, a moeda norte-americana foi negociada a R$ 3,85, com queda de 1,53%. A máxima, de R$ 3,905, foi atingida ao final do período. Esse valor representa desvalorização de 0,13% sobre o fechamento de ontem.Os operadores atribuem os momentos de maiores quedas à presença significativa de exportadores no mercado e acrescentam que devido ao volume baixo de transações, esse movimento ganhou importância nesta manhã. Apesar da tranqüilidade da manhã, assegurada principalmente pelos exportadores, os profissionais de mercado lembram que há vários vencimentos privados para os próximos dias. Eles avaliam que se alguma instituição precisar de moeda para honrar esses compromissos a trajetória pode inverter.Números do mercadoÀs 14h43, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,9000, em queda de 0,26% em relação ao fechamento de ontem. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios. Já no mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 23,050%, frente a 23,800% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em alta de 2,31%Em Nova York, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - operava em queda de 1,30%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - estava em queda de 0,04%.

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