Copom norteou-se pela inflação de 2003

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, de 18,5% ao ano para 18% ao ano. O resultado da reunião do Comitê surpreendeu quase todos os analistas consultados pela Agência Estado. O viés de baixa, autorização prévia para que o presidente do Banco Central (BC), adotado na última reunião mensal do Comitê, foi suspenso.O chefe de pesquisa da América Latina do IDEAglobal, Ricardo Amorim, foi dos poucos analistas que acertaram na previsão. Segundo ele, este é o momento para trazer uma sinalização mais otimista aos mercados, além do que a economia está muito desaquecida e os juros mais baixos reduzem o custo da dívida do governo. Amorim acredita, ainda, que seria importante indicar que a trajetória dos juros é de queda, por meio da manutenção do viés de baixa.Outro que acertou foi Luis Carlos Costa Rego, economista-chefe da Sul América Investimentos. Ele concorda com Amorim, avaliando que alterações na Selic em julho dificilmente terão efeito sobre a economia real em 2002, e para o ano que vem, a folga é grande, já que o governo projetava uma taxa de 2,6% para um limite máximo estabelecido de 4%. Com isso, ele prevê que os juros sigam caindo até o final do ano.Rego não acredita que a medida venha ter um impacto muito forte na saída de recursos do país, pois a instabilidade política que tem gerado a fuga de capitais não deve ser afetada pela diferença de meio ponto porcentual na Selic. Nesse sentido, ele só antevê uma nova disparada do dólar se o candidato governista, José Serra, continuar decepcionando nas pesquisas de opinião mesmo depois do início do horário eleitoral gratuito.RiscosPara o economista-chefe do HSBC investment banking, Alexandre Bassoli, a decisão do Copom surpreendeu, e ele espera uma reação positiva do mercado. Ele considera que não havia espaço para uma redução, pois há risco de pressão maior sobre o câmbio agora, dada a instabilidade do mercado, com possibilidade de contaminação dos índices de inflação de 2003. "Os mercados estão muito instáveis, e essa decisão traz riscos." Ainda assim, Bassoli reconhece que do lado da economia real, a economia está desaquecida, o que impede grandes altas de preços, e as projeções de inflação para 2003 apresentam folga.Essa também é a opinião de Fábio Akira, economista do JP Morgan. Ele considera que o foco do Copom mudou, da projeção de inflação de 2002 para 2003, o que já havia sido antecipado pela mudança nas metas de inflação no mês passado. Ele identifica uma aposta do Comitê de que o arcabouço macroeconômico do Brasil deva ser mantido independentemente de qual seja o próximo presidente da República. "O Copom deixou de olhar para os mercados e se baseou na economia real", afirma. Para Akira, o risco é o da reação dos mercados, ou seja, de que o dólar sofra forte elevação, pressionando os preços para o ano que vem.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

17 de julho de 2002 | 15h39

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