Copom prevê manter juro, inflação benigna e ignora a crise

A ata do Copom divulgada hoje pelo Banco Central mantém a expressão "perspectiva de manutenção da taxa de juros básica por um período suficientemente longo de tempo" e prevê "um cenário benigno para a evolução da inflação". "A política monetária passa a se defrontar com o desafio de garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro", afirma o documento.Para o BC, os efeitos do aumento dos juros, iniciado em setembro do ano passado, continuam sendo sentidos nos resultados da inflação e que o crescimento está de acordo com a oferta. "A atividade econômica deverá continuar em expansão, mas em ritmo condizente com as condições de oferta de modo a não resultar em pressões significativas sobre a inflação", diz o documento.Inflação menor em 2005O Banco Central diz que as suas projeções de inflação medida pelo IPCA para 2005 caíram ainda mais em relação às estimativas divulgadas no relatório de inflação de junho, mas não infomou quando. No relatório, o BC projeta inflação de 5,8% ao final desse ano. O BC atribuiu a melhora à "surpresa" positiva verificada na inflação de junho e à apreciação da taxa de câmbio. Para 2006, a previsão de inflação elevou-se "marginalmente", mas continua abaixo da meta de 4,50%.Outro dado positivo foi a redução de 7,3% para 7% as projeções de alta dos preços administrados em 2005. As estimativas de alta das tarifas de telefonia caíram de 8,6% para 6,5%. Já as projeções de aumento das tarifas de energia elétrica recuaram de 10,8% para 8,2%. Apesar do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, o BC manteve a previsão de reajuste zero nos preços de gasolina e gás de botijão para 2005. Para 2006, o BC manteve a sua projeção de alta dos preços administrados em 5,7%.PetróleoO Copom alerta na ata que os preços internacionais do petróleo continuam representando um risco para a trajetória futura de inflação. Mas destaca na ata que os preços do petróleo, após um movimento de alta no início de julho, recuaram nos dias que precederam a reunião do Comitê. Os diretores do BC, no entanto, afirmam no documento que os preços ainda estão em "patamares historicamente elevados". Devido a esse cenário "marcado de incertezas", o Copom decidiu manter a hipótese de reajuste zero nos preços domésticos dos combustíveis em 2005.Crise políticaApesar do agravamento da crise política, os diretores do Banco Central ignoraram na ata do Copom o cenário de incertezas provocado pelos desdobramentos das investigações das CPIs instaladas no Congresso que apuram denúncias de corrupção. No documento, os membros do BC não fazem referência ao cenário político. Quando a última reunião do Copom foi realizada, na semana passado, a crise política já tinha se agravado.

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