Beto Nociti/Banco Central
Beto Nociti/Banco Central

Copom reconhece risco de economia não se recuperar e sinaliza cortes de juros mais intensos

Em ata, Banco Central explicou que o processo será calibrado pela trajetória da inflação e deixa claro que há espaço para acelerar os cortes

Fernando Nakagawa e Fabrício de Castro, Broadcast

06 de dezembro de 2016 | 09h20

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) reconhece que há o "risco palpável" de não ocorrer a recuperação da economia e que isso abre espaço para que os cortes de juro possam ser intensificados. "Destacou-se que o risco palpável de que não ocorra uma retomada oportuna da atividade econômica deve permitir intensificação do ritmo de flexibilização monetária", citam os diretores do BC no parágrafo 21.

 

Nesse trecho do documento, os diretores explicam que foram discutidos os fatores condicionantes do ritmo e magnitude do processo de flexibilização monetária em curso. Na semana passada, o BC anunciou a redução do juro de 14% para 13,75% ao ano. "O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e 2018, é compatível com um processo gradual de flexibilização monetária", explicou o BC na ocasião e novamente no documento divulgado pelo Banco Central. 

Na ata, o colegiado voltou a afirmar que "o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom sugere atividade econômica aquém do esperado no curto prazo". A frase já constava no documento anterior, referente à reunião de outubro. "Houve reduções nas projeções para o PIB em 2016 e 2017 e interrupção no processo de recuperação dos componentes de expectativas de índices de confiança", citou o documento. "Após ter interrompido uma longa sequência de quedas no segundo trimestre, a medida de investimento nas contas nacionais voltou a recuar no terceiro trimestre."

O Copom destacou ainda que a economia brasileira segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, "refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego". 

Banco Central explicou que o processo em curso de corte do juro será calibrado pela trajetória da inflação. No mesmo texto, os diretores do BC reconhecem que as expectativas do mercado para a inflação de 2017 e 2018 têm caído, o que "sugere que pode haver mais espaço para flexibilização das condições monetárias do que o percebido anteriormente". 

O processo de redução do juro em curso, explicou o BC no documento, "será calibrado levando em conta as suas projeções de inflação e seus fatores determinantes, de modo a perseguir uma trajetória que permita cumprir a meta para a inflação para 2017 e 2018". Para os diretores do BC, "atualmente não há incompatibilidade entre esses dois objetivos (de 2017 e 2018)". 

Além de ressaltar que não há incompatibilidade, o documento deixa claro que há espaço para acelerar os cortes. "As projeções para ambos os anos (2017 e 2018) melhoraram, especialmente no cenário de mercado. Isso sugere que pode haver mais espaço para flexibilização das condições monetárias do que o percebido anteriormente", cita o documento no parágrafo 20.

Preços. O Comitê de Política Monetária (Copom) debateu na mais recente reunião a nova política de preços para os combustíveis adotada pela Petrobras e possíveis ajustes no preço da eletricidade em 2017 gerada pela recomposição tarifária. A ata do Banco Central relativa à essa reunião, no entanto, traz detalhes sobre a avaliação dos diretores da casa sobre os temas. 

De acordo com a ata do encontro, os membros do Comitê discutiram o "impacto da mudança na política de preços de combustíveis anunciada recentemente". Outro tema de debate foram os "possíveis reajustes nos preços da energia elétrica ao longo de 2017, em decorrência de recomposições tarifárias necessárias para corrigir distorções de políticas passadas".

 

"Nesse contexto, os membros do Copom voltaram a enfatizar que o ambiente com expectativas de inflação ancoradas permitiria ao Comitê se concentrar em evitar possíveis efeitos secundários desses ajustes de preços relativos", cita o documento, sem dar qualquer outro detalhe. Na ata, o Comitê prevê alta dos preços administrados de 5,5% em 2016, 5,9% em 2017 e 5,3% em 2018.

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