Copom reduz juro para 18,5% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu hoje reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 0,5 ponto porcentual. Com isso, a Selic, que estava em 19% ao ano, passou para 18,5% ao ano. A decisão dos membros do Comitê foi tomada de forma unânime e não prevê a colocação de viés, o que significa que os juros permanecerão neste patamar até a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 13 e 14 de dezembro. No final da reunião, o Comitê divulgou a seguinte nota: "Dando prosseguimento ao processo de flexibilização da política monetária iniciado na reunião de setembro de 2005, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a taxa Selic para 18,50% ao ano, sem viés." Houve uma pequena modificação em relação à frase de setembro, que foi a seguinte: "Avaliando que a flexibilização da política monetária neste momento não compromete as conquistas obtidas no combate à inflação, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a taxa Selic". A ata do encontro em novembro será divulgada na quinta-feira da próxima semana, dia 1º de dezembro. Esta é a terceira redução consecutiva da taxa de juros. Em setembro, o Comitê reduziu a Selic de 19,75% para 19,50% ano. No mês seguinte, o corte foi maior e a Selic caiu para 19% ao ano. Com esta terceira redução, o corte totaliza 1,25 ponto porcentual e a Selic chega a 18,5%. A decisão do Comitê vem ao encontro das apostas da maioria dos analistas. Das 53 instituições ouvidas pela Agência Estado, 51 acreditavam na queda de 0,5 ponto porcentual. Hoje, começaram a surgir apostas de que o corte poderia ser maior, de 0,75 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 18,25% ao ano. O primeiro motivo para quem acreditava em um corte maior do juro é o controle da inflação, que é fator determinante nas definições do Copom para a taxa Selic. A meta de inflação para este ano é 5,1%. No acumulado do ano, até o final de outubro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - índice usado como referência para a meta de inflação - está em 4,73%. As alterações nas taxas de juro agora não interferem na inflação presente. O fato é que os efeitos da política de juros sobre os preços demoram até seis meses para serem percebidos. Isso significa que qualquer mudança no juro agora terá influência sobre a inflação de 2006. A última pesquisa Focus do Banco Central mostrou que, para 2006, as estimativas de IPCA caíram de 4,60% para 4,55%, depois de terem ficado estáveis por cinco semanas seguidas. Com a queda, as previsões de inflação para o próximo ano ficaram mais próximas da meta central de 4,5% já fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Neste ano, os analistas esperam que a inflação medida pelo IPCA fique em 5,53%, pouco acima da meta de inflação para 2005. Apesar disso, o porcentual estimado ainda se encontra dentro do intervalo de tolerância da meta central de 4,5% para 2005 (que é de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo). Além da alta do juro, a queda da inflação também tem sido influenciada pela depreciação do dólar frente ao real. Isso porque, com o real mais forte, a importação de matéria-prima fica mais barata. Também há uma concorrência maior entre os produtos importados e os brasileiros, o que contribui para a queda dos preços. Juro alto reduz atividade econômica A política de juros mais altos, que acaba reduzindo a alta de preços - principal intenção do BC - provoca efeitos paralelos, como o desaquecimento econômico, já que o crédito para as empresas fica mais caro. Além disso, desestimula o consumo, o que também contribui para a queda da atividade econômica. Por conta do juro alto, vários setores da economia já deram sinais de desaquecimento. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, desde junho, a produção industrial vem oscilando. Também de acordo com o Instituto, a produção da indústria fechou o terceiro trimestre deste ano com queda de 0,7%. Trata-se do pior resultado desde o apurado no segundo trimestre de 2003, quando a produção indústria recuou 0,9%.

Agencia Estado,

23 Novembro 2005 | 19h22

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