André Dusek/Estadão
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coluna

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Copom reduz os juros básicos de 3,00% para 2,25% ao ano, no menor patamar da série histórica

Juro real do País passa a ser negativo, de acordo com a Infinity Asset Management; Esse é o oitavo corte consecutivo na Selic

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2020 | 18h06

BRASÍLIA - Os efeitos negativos da pandemia do coronavírus sobre a economia levaram o Banco Central (BC) a reduzir a Selic (a taxa básica de juros) pela oitava vez consecutiva. Em decisão unânime, os dirigentes da autarquia cortaram, nesta quarta-feira, 17, a taxa em 0,75 ponto porcentual, de 3,00% para 2,25% ao ano. Este é o menor juro básico já registrado no Brasil. Ao mesmo tempo, a instituição sinalizou que, no próximo encontro, marcado para o início de agosto, pode manter a taxa no atual patamar ou efetuar novo corte, mas de menor intensidade. 

Com a Selic a 2,25%, o Brasil registra juro real (descontada a inflação) negativo. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que, com a taxa básica neste patamar, o juro real brasileiro passou a ser de -0,78% ao ano. O País possui agora o 14º juro real mais baixo do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes. A economia com o menor juro real do mundo atualmente é a de Taiwan, com taxa de -3,00% ao ano.

 

Na decisão anterior do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, do início de maio, quando a Selic havia sido fixada em 3,00% ao ano, a taxa real, conforme os cálculos do MoneYou e da Infinity Asset, ainda era positiva, de 0,26% ao ano. No mercado de taxas de juros do Brasil, porém, já havia, durante o mês de maio, ativos que embutiam em seus preços um juro real negativo.

A decisão de ontem do BC surge na esteira de uma série de dados econômicos ruins registrados nos últimos meses. Desde que o isolamento social se tornou inevitável para conter o número de vítimas da covid-19, o País vem amargando forte redução na atividade econômica e da renda das famílias, além de alta do desemprego.

Um dos dados mais recentes, divulgado na manhã de ontem pelo IBGE, apontou para queda de 11,7% na prestação de serviços em abril ante março.

Com a economia sob pressão, a expectativa dos analistas era de que o BC, de fato, cortasse mais uma vez a Selic. De um total de 54 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 52 esperavam por um corte de 0,75 ponto da Selic, para 2,25% ao ano. Duas casas aguardavam pela redução de 0,50 ponto, para 2,50% ao ano.

'Incerto'

No comunicado que acompanhou a decisão, o BC avaliou, em linguagem técnica, que a “conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado” – ou seja, juros baixos. Ao mesmo tempo, a instituição reconheceu que, como a Selic já despencou nos últimos meses, um novo corte é “incerto e deve ser pequeno”.

“Esperávamos que o comunicado deixasse uma porta entreaberta, sem se comprometer com o fim de ciclo (de cortes da Selic)”, afirmou o superintendente de pesquisas macroeconômicas do Santander Brasil, Mauricio Oreng.

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