André Dusek / Estadão
Selic está agora em um novo piso da série histórica do Copom André Dusek / Estadão

Copom reduz taxa básica de juros para 5% ao ano

Com a economia ainda em recuperação contida e a inflação sob controle, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de que a Selic passasse por um novo corte

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 18h09

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic (a taxa básica da economia) de 5,50% para 5,00% ao ano. Este é o terceiro corte da taxa no atual ciclo, após período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em um novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

Com a economia ainda em recuperação contida e a inflação sob controle, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de que a Selic passasse por um novo corte. De um total de 48 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas esperavam por um corte de 0,50 ponto, para 5,00% ao ano.

No documento, o BC também atualizou suas projeções para a inflação. No cenário de mercado – que utiliza expectativas para câmbio e juros do mercado financeiro, compiladas no relatório Focus –, o BC alterou sua projeção para o IPCA em 2019 de 3,3% para 3,4%. No caso de 2020, a expectativa se manteve em 3,6%. 

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,75% a 5,75%). Para 2020, a meta é de 4,00%, com margem de 1,5 ponto (de 2,5% a 5,5%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (2,00 a 5,00%).

Juros reais

Embora a Selic esteja no menor patamar da história, o Brasil ainda está entre os países com as maiores taxas reais (descontada a inflação) do mundo. Levantamento do site MoneYou e da Infinity Asset mostra que o juro real do Brasil, de 1,65%, é o oitavo maior entre as 40 economias mais relevantes. No topo do ranking estão a Argentina (10,00%), que vive grave crise econômica, e o México (3,37%).

 

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O que rende e o que deixa de render com a Selic em 5%

Aplicações passaram a quase empatar com a inflação e, em alguns casos, não acompanham nem mesmo esse indicador

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 19h51

Depois da decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual nesta quarta-feira, 30, opções como a caderneta de poupança e parte dos fundos DI perderam a capacidade de repor a inflação para o investidor. As demais aplicações de renda fixa também reduziram os prêmios. 

No documento divulgado nesta quarta pelo Banco Central, a Selic ficou em 5%, novo piso histório para o indicador. Já a projeção para o IPCA em 2019 foi alterada de 3,3% para 3,4% e, no caso de 2020, a expectativa se manteve em 3,6%. Confira o que acontece com seus investimentos nessas novas condições:

CDB - atenção à oferta de banco médio

Assim como as opções de renda fixa, os CDBs estão em queda livre, acompanhando a Selic. No entanto, títulos vendidos pelos bancos de médio e pequeno portes ainda superam a inflação e ficam na dianteiras entre as opções com garantia do FGC para aportes de até R$ 250 mil.

Poupança - retorno perde para a inflação

Queridinha, o investimento, que rendia 3,85% ao ano recuou para 3,43% – 11 pontos base abaixo da projeção para a inflação, que é de 3,54%, quando se pondera os relatório Focus do BC para 2019 e 2020. A tendência é de piora: o mercado espera nova redução da Selic em dezembro. 

LCI e LCA - bom retorno, mas difícil de ver

Imobiliárias e do Agronegócio (LCAs) parece atraente, mas o porcentual de CDI que serve de remuneração para as letras está atrelado ao prazo. Outro ponto: esse é um produto difícil de encontrar no mercado financeiro.

Fundo DI - 41% deles perdem para a inflação

Apesar do movimento recente de algumas empresas que reduziram as taxas dos fundos de renda fixa atrelados ao CDI, ainda há no mercado um volume majoritário de opções que cobram taxas de administração igual ou acima de 0,50% ao ano, perdendo para a inflação.

Tesouro direto - títulos estão em queda livre

O retorno dos três tipos de papel do Tesouro Direto (Selic, IPCA e os prefixados) estão em queda, acompanhando o movimento de cortes da taxa Selic. Os mais indicados são os de longo prazo (mais de 12 meses), atrelados ao índice oficial de inflação, o IPCA.

Ações - bolsa lidera as recomendações

A Selic mais baixa reduz o custo financeiro das empresas, o que anima o mercado por melhora no ambiente de negócios. Esse é um dos porquês das ações liderarem as recomendações dos gestores. Setor, porém, tem forte oscilação e investidor precisa de apetite ao risco.

Fundos Imobiliários - queda nos juros favorece setor

A queda da Selic impulsiona o crédito habitacional, o que faz dos fundos de imóveis uma opção atraente. No ano, o índice com os principais fundos registra alta de 18,14%, 24,36% nos últimos 12 meses, com baixa oscilação. Mercado, contudo, é complexo.

Fundos multimercado - porta de entrada para orisco

Em agosto, os fundos de multimercado (que misturam renda fixa a renda variável no mesmo pote) captaram, líquidos, R$ 6,2 bilhões. Segundo os especialistas, o resultado é motivado por brasileiros que começam a experimentar um pouco mais de risco.

 

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