Copom reduz taxa Selic para 19%; corte é de 0,5 ponto porcentual

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por unanimidade reduzir a Selic, a taxa básica de juros da economia, para 19% ao ano, sem viés - o que significa que a Selic permanece neste patamar até a próxima reunião, marcada para os dias 22 e 23 de novembro. A ata da reunião de hoje deve sair dia 27, quinta-feira, às 8h30.No comunicado, o Copom repetiu exatamente o mesmo texto da reunião anterior: "Avaliando que a flexibilização da política monetária neste momento não compromete as conquistas obtidas no combate à inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 19% ao ano sem viés".Com a decisão de hoje, a taxa Selic cai para o menor nível desde fevereiro deste ano, quando estava em 18,75% ao ano, e passa a acumular uma queda de 0,75 ponto porcentual nos últimos 2 meses. A Selic chega ao penúltimo mês do ano com um patamar 1,25 ponto porcentual acima da taxa de janeiro (18,25% ao ano).ApostasAlguns analistas acreditavam que o corte seria menor, de 0,25 ponto porcentual, como no mês passado. Mas o corte de 0,5 ponto porcentual vinha sendo anunciado por 60% dos analistas do mercado financeiro desde o início da semana.A decisão foi recebida pelo setor produtivo e no comércio sem entusiasmo. Para os empresários, as taxas de juros - que, apesar do corte, continuam elevadas - podem prejudicar o crescimento sustentado do País, reduzindo investimento e consumo.Na avaliação do economista Marcelo Allain, da Fipe/USP, não havia dúvida sobre o espaço para o BC reduzir a taxa de juros, já que o último relatório de inflação mostrava folga para isso. A única incerteza era sobre o tamanho do corte, se 0,25 ou 0,5 ponto porcentual, afirmou ele.Allain acredita que esse recuo anunciado hoje será interpretado pelo mercado como um sinal de que novos cortes de 0,5 pontos serão feitos novamente até o fim do ano e início de 2006."Isto mostra que ainda há muita gordura para ser queimada nos juros", afirma o gerente de política monetária do Banco Itaú, Joel Bogdanski. Na opinião dele, tecnicamente havia espaço para cortes mais agressivos. ?Mas sabemos que o BC não faria isso?, afirmou ele, referindo-se ao conservadorismo dos integrantes do Copom. Com relação ao cenário externo, o economista salientou que hoje há um nervosismo, mas que não chega ainda a prejudicar a condução da política monetária.Aposta em 0,25Para quem apostava em um corte mais conservador, de 0,25 ponto porcentual, o principal argumento era o de que o cenário não melhorou desde a última reunião, quando o corte do juro foi de 0,25 ponto. Ao contrário, houve alguma piora.A inflação saiu do campo negativo, especialistas vislumbram pressões vindo dos preços dos alimentos, a atividade econômica mostra algum vigor, o dólar subiu e há incertezas em relação ao cenário internacional. O corte mais ousado pode provocar uma reação dos investidores amanhã.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.