Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Sede do Banco Central, em Brasília; sequência de aumento de juros é a mais longa já registrada Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Copom eleva Selic para 12,75%, maior patamar em mais de 5 anos

Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros pela décima vez seguida para conter a alta da inflação

Thaís Barcellos e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2022 | 19h13
Atualizado 04 de maio de 2022 | 19h25

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic (a taxa básica de juros) de 11,75% para 12,75% ao ano e sacramentou o mais longo ciclo de aperto monetário ininterrupto da história do comitê, após 10 aumentos seguidos.

Com o aumento a 12,75%, a Selic alcançou o maior patamar desde fevereiro de 2017 (13%), para tentar debelar um processo inflacionário que não para de surpreender. O choque de juros neste ciclo, iniciado em março de 2021, já é o mais forte desde 1999, quando o BC elevou a Selic em 20 pontos porcentuais de uma vez só.


O aumento do juro básico da economia reflete em taxas bancárias mais elevadas, embora haja uma defasagem entre a decisão do BC e o encarecimento do crédito (entre seis meses e nove meses). A elevação da taxa de juros também influencia negativamente o consumo da população e os investimentos produtivos.

A decisão desta quarta-feira, 4, era esperada pelo mercado financeiro, após o BC sinalizar no Copom de março vontade de repetir a dose de um ponto percentual no encontro seguinte. Todas as 54 instituições financeiras consultadas pelo Projeções Broadcast previam alta da Selic de um ponto porcentual, para 12,75% ao ano.

Apesar de ter cumprido a promessa de elevar a Selic em 1pp em maio, o BC teve de abrir mão de terminar o aperto monetário nesta reunião. Em comunicações oficiais do Copom de março, o BC havia indicado a intenção de finalizar a alta de juros em maio, embora tenha garantido que estaria pronto para ajustar o tamanho do ciclo caso os choques derivados da guerra na Ucrânia se mostrassem maiores ou mais persistentes. 

Diante da piora da inflação corrente e das expectativas, e de notícias desfavoráveis no exterior, o BC disse no comunicado de hoje que prevê uma alta menor no próximo encontro, em junho. O mercado financeiro aposta em aumento de 0,5 pp.

"O Comitê nota que a elevada incerteza da atual conjuntura, além do estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demandam cautela adicional em sua atuação", afirmou o colegiado. "O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária".

A alta de juros ocorre no mesmo dia em que o Federal Reserve, o banco central americano, também decidiu elevar a taxa básica do país em 0,5 ponto percentual, para uma faixa entre 0,75% a 1% ao ano. Foi o maior aumento de juros feitos nos EUA desde o ano 2000. Apesar de baixa em comparação com a Selic, a taxa americana tende a subir este ano, uma vez que o Fed ainda está no início do ciclo de aperto monetário.

Os EUA, assim como o Brasil, enfrentam uma inflação elevada e o BC americano busca frear a alta de preços elevando os juros. É uma forma de esfriar a demanda na economia, uma vez que a alta de juros torna o crédito mais caros. Com taxas mais elevadas, consumidores tendem a consumir menos e as empresas podem postergar investimentos. 

Maior juro real do mundo

Com o novo aumento da Selic, o Brasil voltou a ter a maior taxa de juro real (descontada a inflação) do mundo, em uma lista com 40 economias. Cálculos do site MoneYou e da Infinity Asset Management indicam que o juro real brasileiro está agora em 6,69% ao ano. 

Em segundo lugar na lista que considera economias mais relevantes, aparece a Colômbia (3,86%), seguida de México (3,59%). A média dos 40 países avaliados é de -1,73%.

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Fed eleva juros dos EUA em 0,5 ponto, maior alta em 22 anos, e Powell indica novas altas

Para combater a inflação, banco central americano subiu os juros e anunciou a redução do balanço patrimonial de US$ 9 trilhões, mas presidente do Fed, Jerome Powell, descartou alta mais forte dos juros nas próximas reuniões

Associated Press

04 de maio de 2022 | 15h15
Atualizado 04 de maio de 2022 | 17h29

WASHINGTON - O Federal Reserve (Fed) ampliou sua luta contra a pior inflação em 40 anos nos Estados Unidos e elevou nesta quarta-feira, 4, a taxa básica de juros de curto prazo em meio ponto percentual, no aumento mais agressivo agressivo desde 2000, e sinalizou que mais aumentos estão por vir.  Com o aumento, o banco central americano elevou os juros para uma faixa de 0,75% a 1%, o ponto mais alto desde o início da pandemia, há dois anos. 

Falando em uma entrevista coletiva na quarta-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, deixou claro que novas altas de juros estão chegando. "Há um senso amplo no comitê", disse ele, referindo-se ao Fed, "que aumentos adicionais (de meio ponto) devem estar na mesa nas próximas reuniões".

Ele minimizou a especulação de que o Fed possa estar considerando um aumento de juros de até 0,75 de ponto percentual. "Um aumento de 75 pontos-base não é algo que o comitê esteja considerando ativamente", disse ele.

A afirmação fez os índices de ações subirem nesta quarta. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, fechou em alta de 2,82%, enquanto o índice da Nasdaq subiu 3,19%. No Brasil, as ações também reagiram de forma positiva. O índice Ibovespa fechou em alta de 1,7%, aos 108.343 pontos.

Powell disse também que quer elevar rapidamente a taxa de juros básica para um nível que não estimule nem restrinja o crescimento econômico. Autoridades do Fed sugeriram que chegarão a esse ponto, que o Fed diz ser cerca de 2,4%, até o final do ano. 

O Fed também anunciou que começará a reduzir seu enorme balanço patrimonial de US$ 9 trilhões, que consiste principalmente em títulos do Tesouro e hipotecas. Esse valor mais que dobrou após a recessão da pandemia, quando o Fed comprou trilhões de dólares em títulos para tentar manter baixas as taxas de empréstimos de longo prazo e estimular a economia

A partir de 1º de junho, o Fed permitirá que até US$ 48 bilhões em títulos vençam sem substituí-los, um ritmo que chegaria a US$ 95 bilhões em setembro. Nesse ritmo a partir de setembro, o balanço patrimonial do Fed encolheria cerca de US$ 1 trilhão por ano. 

A redução do balanço do Fed terá o efeito de aumentar ainda mais os custos dos empréstimos em toda a economia. Ao todo, o aperto do Fed deve elevar o custo do crédito para consumidores e empresas ao longo do tempo, inclusive para a compra de imóveis imóveis, juros dos cartões de crédito e empréstimos para automóveis. 

Inflação elevada

Com a aceleração dos preços de alimentos, energia e bens de consumo, o objetivo do Fed é esfriar os gastos – e o crescimento econômico – tornando mais caro o empréstimo de indivíduos e empresas. 

O banco central americano espera que os custos de empréstimos mais altos reduzam os gastos o suficiente para domar a inflação, mas não tanto a ponto de causar uma recessão. 

Será um ato de equilíbrio delicado. O Fed sofreu críticas de que demorou muito tempo  para começar elevar os juros, e muitos economistas estão céticos de que o aperto monetário gradual possa evitar uma recessão. 

Em sua entrevista coletiva, Powell enfatizou sua crença de que "restaurar a estabilidade de preços" – isto é, conter a alta inflação – é essencial para sustentar a economia. Em sua declaração na quarta-feira, os diretores do Fed observaram que a invasão da Ucrânia pela Rússia está piorando as pressões inflacionárias ao aumentar os preços do petróleo e dos alimentos. 

Powell acrescentou que "os bloqueios relacionados à covid na China provavelmente exacerbarão as interrupções na cadeia de suprimentos", o que poderia aumentar ainda mais a inflação. 

A inflação, segundo o indicador preferido do Fed, atingiu 6,6% no mês passado, o maior patamar em quatro décadas. A inflação foi acelerada por uma combinação de gastos robustos do consumidor, gargalos crônicos na oferta e preços acentuadamente mais altos do gás e dos alimentos, exacerbados pela guerra da Rússia contra a Ucrânia. 

Efeitos 

O aperto de crédito do Fed já está tendo algum efeito sobre a economia. As vendas de casas existentes caíram 2,7% de fevereiro a março, refletindo um aumento nas taxas de hipoteca relacionadas, em parte, aos aumentos de taxas planejados pelo Fed. 

A taxa média de uma hipoteca de 30 anos saltou 2 pontos percentuais desde o início do ano, para 5,1%. No entanto, pela maioria das medidas, a economia geral permanece saudável. Isso é especialmente verdadeiro no mercado de trabalho dos EUA: as contratações são fortes, as demissões são poucas, o desemprego está perto de uma baixa de cinco décadas e o número de vagas de emprego atingiu um recorde.

Powell apontou a ampla disponibilidade de empregos como evidência de que o mercado de trabalho está apertado - "a um nível insalubre" que tenderia a alimentar a inflação. O presidente do Fed está apostando que taxas mais altas podem reduzir essas aberturas de vagas, o que presumivelmente retardaria os aumentos salariais e aliviaria as pressões inflacionárias, sem desencadear demissões em massa. 

Por enquanto, com contratações robustas – a economia adicionou pelo menos 400.000 empregos por 11 meses consecutivos – e empregadores enfrentam escassez de mão de obra, os salários estão subindo a um ritmo anual de aproximadamente 5%. 

Esses aumentos salariais estão impulsionando os gastos do consumidor, apesar do aumento dos preços. Em março, os consumidores aumentaram seus gastos em 0,2%, mesmo após o ajuste pela inflação. 

Mesmo que a taxa básica de juros do Fed chegue a 2,5% até o final do ano, disse Powell no mês passado, as autoridades ainda podem restringir ainda mais o crédito – a um nível que restringiria o crescimento – "se isso for apropriado". Os mercados financeiros estão precificando uma taxa de até 3,6% até meados de 2023, que seria a mais alta em 15 anos. 

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Como as altas de juros nos EUA e no Brasil afetam a economia do Brasil

Decisões do Fed e do Copom de aumentar os juros têm impacto no consumo, na inflação e nos investimentos

Alexandre Calais, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2022 | 10h46
Atualizado 04 de maio de 2022 | 20h37

Duas decisões anunciadas nesta quarta-feira, 4, têm impacto direto e prolongado sobre a economia brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) definiram as novas taxas de juros básicas no Brasil e nos Estados Unidos. E, com a inflação galopando, tanto aqui como lá, o movimento é de alta.

No Brasil, a taxa básica, a Selic, passou dos atuais 11,75% para 12,75% ao ano. A dúvida é até onde vai esse ciclo de alta. A maior parte das instituições financeiras consultadas pelo Estadão/Broadcast prevê mais uma alta de 0,5 ponto nos juros, levando a Selic para 13,25% e parando aí. Mas essas previsões vêm subindo nos últimos meses, ao ritmo de uma alta de preços que não dá sinais de trégua. O banco Credit Suisse já fala em uma taxa de juros de 14%, para tentar controlar a inflação.

 

 

Nos EUA, a taxa de referência subiu 0,5 ponto porcentual, do atual patamar entre 0,25% e 0,5% ao ano para 0,75% a 1% ao ano, após a decisão do Federal Reserve anunciada nesta quarta. Comparado ao juro brasileiro, é um patamar ainda muito baixo. Mas o ponto é que o Fed está apenas no início do ciclo de altas. Os analistas projetam que essas taxas devem subir para patamares entre 3% e 3,5% ao ano. Mas não estão descartados números ainda maiores, se a inflação, que está nos patamares mais altos em 40 anos, não começar a ceder.

Como esses aumentos podem afetar a economia brasileira? No caso da Selic, o efeito é direto. Juros mais altos tornam o crédito mais caro. E isso inibe o consumo - com menos consumidores indo às compras, a tendência é de os preços baixarem, ou subirem menos, reduzindo assim a inflação.

Mas isso também afeta, por exemplo, os investimentos. Uma empresa que pretendia investir em expansão, ou na compra de algum equipamento, acaba postergando os planos, à espera de taxas de juros melhores. Isso acaba esfriando a economia. Um dos efeitos é, por exemplo, a falta de criação de empregos. 

Nos investimentos, também, há efeitos diretos. Com juros baixos, como o Brasil vivia há bem pouco tempo, há um estímulo para se aplicar no setor produtivo. Isso pode ser visto na Bolsa, que bateu recordes de atração de novos investidores. Mas, com os juros nas alturas, faz pouco sentido arriscar, e as pessoas físicas, principalmente, voltaram com força para a renda fixa. Por que se arriscar em colocar o dinheiro em uma empresa, via ações, se o Tesouro Direto, só como exemplo, garante um pagamento de mais de 5% ao ano acima da inflação?

O aumento dos juros americanos também respinga na economia brasileira. Os títulos do Tesouro americano são considerados os mais seguros do mundo, papéis de referência global. Quando passam a pagar mais aos investidores, a tendência é todo o mundo correr para lá. E isso retira dinheiro dos emergentes, Brasil incluído - onde o risco do investimento é muito maior. Portanto, para atrair recursos do exterior, os bancos centrais dos emergentes precisam oferecer taxas de juros cada vez mais altas, o que acaba deprimindo a economia.

Menos dinheiro vindo de fora também tem o efeito de valorizar a cotação do dólar em relação ao real. E isso pode elevar a inflação, já que os produtos importados ficam mais caros.

Se as taxas de juros americanas subirem mais do que o atualmente esperado, o estrago pode ser grande. O Credit Suisse já fez um alerta para o potencial de deterioração do cenário brasileiro caso o Fed resolva fazer um aperto monetário mais forte. Em relatório, o banco apontou que uma alta das taxas dos títulos americanos até o nível de 4,5% - acima do cenário base atual, de 3,25% - seria suficiente para aumentar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2023 dos 4,4% agora estimados para 4,9%, acima do teto da meta (4,75%).

Ou seja, é preciso ficar de olho nas indicações dos passos futuros que serão dadas nesta quarta tanto pelo Fed quanto pelo BC brasileiro. Mas o cenário para a economia brasileira, dado todo esse quadro, não é dos mais positivos.

 

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Bolsas fecham em alta após Powell descartar ritmo mais forte de aumento de juros nos EUA

O receio de que o Fed fosse muito duro na reunião de política monetária de hoje, que encheu de cautela e derrubou os mercados nos últimos dias, foi afastado pelo presidente da autoridade monetária, Jerome Powell

Bárbara Nascimento e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2022 | 18h03

SÃO PAULO - O Ibovespa encerrou o dia em alta de 1,70%, aos 108.343,74 pontos. O patamar, conquistado praticamente na última hora do pregão, colocou o índice bem longe da mínima do dia (104.932,97 pontos) e reverteu a perda semanal. No acumulado desta semana, a referência da bolsa sobe 0,43%.

O receio de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fosse muito duro na reunião de política monetária de hoje, que encheu de cautela e derrubou os mercados nos últimos dias, foi afastado pelo presidente da autoridade monetária, Jerome Powell. Se havia alguma dúvida após o comunicado da decisão de juros, a coletiva de imprensa veiculada por Powell afastou a possibilidade de uma alta de 75 pontos nos juros, o que retirou pressão das bolsas globais e abriu espaço para o Ibovespa voltar aos 108 mil pontos.

O índice foi suportado, ainda, por um avanço sustentado das ações das petroleiras. Com o barril do Brent em alta superior a 5%, as ações da Petrobras subiam de forma consistente, com os papéis preferenciais da companhia avançando mais de 6%. PetroRio e 3R Petroleum ganharam 5,81% e 4,68%, respectivamente, esta última apesar do prejuízo líquido de R$ 335,17 milhões reportado no primeiro trimestre.

No minério, por sua vez, uma leve queda da commodity em Qingdao, na China, levou mineradoras e metalúrgicas a pesarem negativamente no índice, com Vale recuando 0,84%.

Com o tom bem mais suave do que o esperado, as bolsas tiveram alívio globalmente, renovando máximas aqui e em Nova York. Tanto que Dow Jones e S&P500 fecharam o dia em altas superiores a 2,8%.

"Powel foi na direção de sinalizar mais duas altas de 50 ponto e também dizer ao mercado que não é um dado ou outro que vai fazê-lo mudar de opinião, é um conjunto de informações. Isso retira incerteza. Fica um pouco mais claro que não teremos surpresas mais duras nos próximos meses", aponta Fernando Fenolio, economista-chefe da WHG, completando: "Com essa sinalização, tirando a chance de 75 pontos e dando previsibilidade, o mercado reagiu bem".

O mercado ainda espera a decisão de política monetária brasileira, marcada para hoje às 18h30. Os investidores monitoram sobretudo as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) para a próxima reunião e apostam que o BC irá deixar espaço para ao menos mais uma alta em junho.

"Provavelmente, se o mercado entender que o BC faz uma alta adicional em junho e para, isso será bom para os ativos", aponta Luciano Costa, economista e sócio da Monte Bravo Investimentos, completando: "A decisão do Fed só potencializa esse efeito, porque é a favor de ativos de risco".

Setorialmente, todos os segmentos fecharam no positivo no Ibovespa hoje, com destaque para as ações do setor imobiliário (1,84%), de consumo (+1,74%) e utilities (+1,79%). Entre as maiores altas do índice, Magazine Luiza (7,61%), Americanas (7,54%) e Pão de Açúcar (7,52%). Na ponta oposta, Marfrig (-7,76%), com investidores repercutindo negativamente mudança na política de pagamento de dividendos, e JBS (-3,04%), respondendo a um nível de dólar mais alto.

Dólar cai para R$ 4,90

A perspectiva de que o processo de ajuste da política monetária americana não será tão intenso e rápido como se esperava, após declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje à tarde, levou a uma rodada de enfraquecimento global da moeda americana. Isso abriu espaço para o dólarvoltar a ser negociado na casa de R$ 4,90 no mercado doméstico de câmbio.

No mercado doméstico, o dólar não apenas trocou de sinal como chegou a furar pontualmente o piso de R$ 4,90, ao descer até a mínima de R$ 4,8990 (-1,30%). No fim do dia, a divisa recuava 1,21%, cotada a R$ 4,9036. Com isso, a moeda passa a acumular queda de 0,79% no mês e perda de 12,06% em 2022.

Como esperado, o BC americano subiu a taxa básica em 0,50 ponto porcentual, para a faixa entre 0,75% e 1% ao ano, em um comunicado que suscitou reações tímidas nos preços dos ativos. O dólar, que vinha em leve alta, na casa de R$ 5,00, pouco se mexeu. A virada do mercado veio quando Powell, durante entrevista coletiva, praticamente tirou a possibilidade de acelerar o passo de alta de juros em junho, ao dizer que "0,75 ponto porcentual não é algo que o comitê está ativamente considerando".

O índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes - desceu do nível de 103,600 pontos para a casa de 102,600 pontos, e a taxa da Treasury de 2 anos, mais ligada à expectativa em torno dos juros neste ano, caiu mais de 4%. A maioria das divisas emergentes, que já ganhava espaço, acelerou a alta em relação à moeda americana.

"Nossa moeda sentiu bastante o efeito da tensão pré-Fomc (comitê de política monetária do BC americano). Hoje, estamos vendo uma volta desse movimento com a postura mais suave do Fed", afirma o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, ressaltando que o mercado de juros americano embutia grande probabilidade de alta de 0,75 ponto da taxa básica em junho. "Isso agora está fora da mesa. Obviamente, o dólar perde valor em relação a moedas de mercados desenvolvidos e moedas de commodities".

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