Copom sugere que corte da Selic não será retomado tão cedo

Comitê só deve voltar a reduzir a taxa básica de juros no segundo trimestre de 2008, diz economista

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

18 de outubro de 2007 | 10h23

A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 11,25% não foi uma surpresa. Mas, ainda assim, deve ter o poder de provocar uma correção importante na curva de juros no pregão desta quinta-feira, 18. Primeiro, porque a parcela dos que previam um corte de 0,25 ponto ponrcentual da taxa não era desprezível.   Segundo, porque o breve comunicado divulgado após a decisão pode ter deixado duas importantes pistas sobre o rumo da política monetária. Uma delas é a introdução de uma expressão nova nos statement "pausa no processo de flexibilização da política monetária", o que sugere que o comitê vê espaço para retomar a queda dos juros em algum momento. Ou seja, não trata-se de uma decisão que põe em jogo o alívio monetário realizado ao longo dos últimos 18 encontros do Copom, mas apenas uma interrupção temporária, com o objetivo de analisar melhor os riscos já mencionados na ata da reunião passada e no relatório de inflação, referentes ao avanço da demanda agregada.   Profissionais consideraram relevante, por outro lado, o fato de a decisão ter sido tomada por unanimidade, ao contrário do que havia ocorrido nas três reuniões anteriores. A avaliação é que a convergência de todos os integrantes do comitê para a defesa da pausa da queda dos juros aponta para um intervalo mais longo, de alguns meses. "No meu ponto de vista, a decisão unânime evita que o mercado cogite um retorno a um novo corte da Selic num curto espaço de tempo", disse o economista da Corretora López León, Flávio Serrano, em entrevista ontem à noite ao jornalista Flávio Leonel.   "Um placar dividido nessa condição de manutenção, poderia mostrar que o Copom não descartaria novas reduções entre as reuniões de dezembro de 2007 e a de janeiro de 2008. Agora, com esse consenso, o mais provável é que um eventual retorno à queda da Selic ocorra mais perto de março do ano que vem", previu.   O economista da Modal Asset, Alexandre Póvoa, disse na última quarta que o Copom só deve voltar a reduzir a Selic no segundo trimestre de 2008, a não ser que a valorização excessiva do real se manifeste, "dando conforto a mais cortes, reduzindo o tempo esperado de pausa".   Já o economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, acredita que o Copom deve manter a taxa Selic estável por mais três ou quatro reuniões, período no qual os seus membros poderão colher informações relevantes para avaliar melhor o cenário prospectivo para a inflação, principalmente a respeito do efeito da queda dos juros já realizada sobre a atividade econômica e a inflação.

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