Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Copom vê espaço para novos cortes da taxa Selic, diz ata

BC considera pressões inflacionárias sob controle por causa da queda da atividade econômica

Fabio Graner e Adriana Fernandes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2009 | 00h00

A forte queda na atividade econômica abre espaço para novos cortes na taxa básica de juros (Selic), mas esse movimento pode ser limitado por problemas institucionais herdados da era de inflação alta, como a remuneração fixa da caderneta de poupança. Essa foi a mensagem da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que na semana passada reduziu a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. A ata tratou longamente da desaceleração econômica e do espaço que cria para corte nos juros. Todas as projeções do BC apontam para inflação abaixo da meta de 4,5% neste e no próximo ano. O mercado futuro de juros respondeu com nova rodada de redução de taxas e passou a prever uma Selic ao redor de 9% ao ano ainda neste semestre e um corte de 1 a 1,5 ponto na reunião de abril."O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras, pela deterioração da confiança dos agentes e pela contração da atividade econômica global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção", diz a ata. "Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das consequências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária."Em linguagem cifrada, o BC ainda mostrou preocupação com a remuneração fixa da poupança. "A avaliação do Copom sobre o espaço para flexibilização monetária adicional também leva em conta aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional."O parágrafo foi traduzido pelo diretor de política monetária do BC, Mário Torós, que defendeu um novo nível de desindexação (desvinculação a determinados índices) na economia, "sob pena de prejudicar avanços na gestão da política econômica". "Isso (a remuneração fixa da caderneta de poupança) seria impeditivo, no momento que digo que a taxa de juros (real) está em 5,4% e a poupança rende 6%", afirmou em São Paulo. O juro real da poupança (descontada a inflação esperada) está na casa de 3%, incluindo a Taxa Referencial (TR). O problema é que os fundos de investimento, por exemplo, pagam Imposto de Renda e cobram taxa de administração dos clientes. Assim, seus rendimentos tendem a se aproximar ao da poupança, com as novas quedas na Selic. Entre outros efeitos, isso pode pôr em risco o financiamento da dívida pública, já que os fundos são grandes compradores de títulos do governo.O diretor da Porto Seguro Investimentos Sérgio Goldenstein avaliou que o BC não vai parar de reduzir os juros por causa disso. "O BC deu uma sinalização de que essa questão tem de ser resolvida urgentemente, pois é um fator que constrange a política monetária. Mas o BC vai continuar reduzindo juros", afirmou. Ele prevê a Selic em 9,25% no fim do primeiro semestre. COLABOROU RICARDO LEOPOLDO

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