Dida Sampaio/Estadão
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BC aponta cautela na análise de novos cortes na Selic e fala em risco para o sistema financeiro

Na semana passada, a taxa básica de juros foi reduzida de 2,25% para 2% ao ano, o menor patamar da história; segundo a ata do colegiado, se houver espaço para outro corte, ele "deve ser pequeno"

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2020 | 11h42

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) avaliou que, se houver espaço para um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, ele "deve ser pequeno", segundo ata publicada nesta terça-feira, 11, da última reunião do grupo, em que a taxa básica de juros caiu para 2% ao ano, o menor patamar da história.

O BC informou que, em sua visão, o País já estaria próximo do nível a partir do qual reduções adicionais na taxa de juros poderiam gerar instabilidade nos preços de ativos (alta do dólar, por exemplo). Assim, a instituição indicou cautela sobre a possibilidade de novos cortes.

"O Comitê concluiu que eventuais novas reduções na taxa de juros exigiriam cautela e gradualismo adicionais. Para tal, se necessárias, novas reduções de juros demandariam maior clareza sobre a atividade e inflação prospectivas e poderiam ser temporalmente espaçadas", informou a instituição.

O mercado financeiro estima que taxa básica de juros permaneça no atual patamar de 2% ao ano até setembro do ano que vem, quando voltaria a subir, terminando 2021 em 3% ao ano.

A ata detalha que o Copom debateu os principais componentes do custo de crédito e dos custos operacionais dos bancos. O BC alerta que, devido ao histórico de Selic elevada nas últimas décadas, a taxa atual pode comprometer o desempenho de alguns mercado e setores, com impacto sobre a intermediação financeira.

Esse risco existiria, ponderou o Copom, ainda que o sistema financeiro tenha apresentado resiliência nos testes de estresse realizados pelo BC.

“O Comitê refletiu que um ambiente com juros baixos sem precedentes pode gerar aumento da volatilidade de preços de ativos e afetar, sem o devido tempo necessário de transição para um novo ambiente, o bom funcionamento e a dinâmica do sistema financeiro e do mercado de capitais”, completou a ata.

Recuperação parcial da economia

Para o Copom, a imprevisibilidade e os riscos associados à evolução da pandemia de coronavírus podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma "retomada ainda mais gradual (lenta) da economia".

"Os programas governamentais de recomposição de renda têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e até do investimento. Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas", informou.

Os economistas do mercado financeiro estimam uma retração de 5,62% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano, ao mesmo tempo em que o Ministério da Economia projeta um tombo de 4,7% para a economia em 2020.

"Com relação à economia internacional, os dados já disponíveis para o PIB do segundo trimestre não surpreenderam, mas evidenciaram que a profundidade da atual retração econômica só é comparável a da Grande Depressão (de 1929)", acrescentou a instituição.

De acordo com o BC, há "alguns sinais promissores de recuperação" que, porém, se mostra incompleta. 

O BC reiterou que manter o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável do PIB. "O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia."

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