Córdoba prepara esquema de segurança para receber cúpula

Desde a última quarta-feira até sábado, nenhum vôo que não seja comercial poderá aproximar-se a menos de 100 quilômetros da cidade de Córdoba, na Argentina, que sedia a 30ª cúpula do Mercosul. Por suas ruas, caminham mais de 5 mil homens da polícia, Forças Armadas e serviços de inteligência da Argentina, Brasil, Chile, Venezuela e Cuba, como forma de garantir a segurança. Além da proibição para aviões, tampouco é permitido parapentes, asas-delta, pequenos aviões, balões ou planadores. As comitivas mais preocupadas pela segurança de seus presidentes são as do venezuelano Hugo Chávez e do líder cubano Fidel Castro. O espaço aéreo é protegido por caças A4AR e aviões Pucará (estes últimos, usados na Guerra das Malvinas).As forças de segurança estão de olho em eventuais distúrbios que possam ser causados pelos participantes da cúpula "alternativa", também denominada "cúpula dos povos", que reúne representantes de comunidades indígenas, sindicatos, partidos de esquerda e piqueteiros (desempregados que realizam piquetes nas estradas para exigir comida e dinheiro). A suspeita é que os eventuais protestos poderiam ocorrer na sexta-feira, após o discurso do presidente Chávez. Não se descarta que o presidente Evo Morales também poderia discursar.Temor O temor da polícia é que se repitam - em escala menor - os distúrbios registrados na cúpula das Américas na cidade de Mar del Plata em novembro passado. Na ocasião, após um enfático discurso do presidente Chávez, os participantes da cúpula "alternativa" marcharam em direção ao centro da cidade onde protagonizaram cenas de pancadaria com a polícia, além de destruir e incendiar vários comércios.Córdoba é famosa pela violência de seus protestos sociais. Em 1969, sindicalistas e estudantes rebelaram-se contra as autoridades do governo militar e conseguiram impedir durante três dias a entrada do Exército, resistindo atrás de barricadas. A revolta ficou conhecida como "El Cordobazo".Nos anos 90, Córdoba - o mais importante centro universitário e operário do interior da Argentina - foi o cenário dos principais protestos contra as privatizações a abertura da economia e o crescimento do desemprego.

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