Coreia do Sul e EUA selam acordo sobre aço

Coreia do Sul e EUA selam acordo sobre aço

Foi o primeiro acordo fechado pelos americanos neste caso; coreanos vão limitar exportações a 70% das vendas realizadas nos últimos 3 anos

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 21h39

WASHINGTON - A Coreia do Sul concordou nesta segunda-feira, 26, em limitar suas vendas de aço para os Estados Unidos a 70% da média registrada nos últimos três anos, com o objetivo de escapar da tarifa de 25% sobre a importação do produto adotada pela administração Donald Trump. O país foi o primeiro a fechar acordo sobre o assunto e o resultado pode ser uma indicação das demandas que serão feitas por Washington na negociação com outros governos, entre os quais o do Brasil.

“Os EUA vão exigir limites às exportações dos países que foram temporariamente isentos da tarifa. A questão é como isso será feito caso a caso”, disse Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics. Em sua avaliação, a posição do Brasil é frágil, em razão das recomendações apresentadas pelo Departamento do Comércio ao fim da investigação relativa ao impacto das importações sobre a segurança nacional dos EUA. Entre as medidas sugeridas pela decisão estava a imposição de tarifa de 53% a 12 países, entre os quais o Brasil.

Sem modelo. Uma fonte do governo brasileiro que acompanha o assunto disse que o acordo fechado pela Coreia do Sul não pode ser visto como um modelo para todas as outras negociações. Segundo a mesma fonte, o Brasil tem a seu favor o fato de ter déficit comercial com os Estados Unidos e exportar ao país aço semiacabado, que é finalizado por siderúrgicas americanas. Além disso, é o principal destino das vendas externas de carvão siderúrgico pelos EUA.

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A solução para a Coreia do Sul foi encontrada no âmbito da renegociação do acordo de comércio bilateral que havia sido fechado na gestão de Barack Obama. Trump criticava os seus termos desde a campanha e exigia sua revisão. Monica afirmou que a redução das exportações anuais de aço de 3,4 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas foi o preço pago pela Coreia do Sul para manter o tratado com os EUA sem alterações profundas. Em outra concessão, o país asiático concordou em aumentar o acesso de carros americanos a seu mercado. “O Brasil não tem nada a oferecer em troca (da isenção)”, observou Monica.

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que a negociação com a Coreia do Sul é uma indicação do sucesso da aplicação do princípio “América em Primeiro Lugar” ao comércio internacional. “Eu acho que a estratégica está funcionando”, declarou em entrevista à Fox News.

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“Nós anunciamos a tarifa. Nós dissemos como procederíamos. Mas, de novo, nós dissemos que negociaríamos de maneira simultânea.” Adotada na semana passada, a isenção da tarifa ficará em vigor até o fim de abril, quando todos os países abrangidos pela medida deverão concluir suas negociações com os EUA.

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