Coreia é o 6º país a aderir ao embargo da carne

Caso de vaca louca no Paraná, em 2010, levou o Japão, a China, África do Sul, Arábia Saudita e Egito a suspenderem importação de carne brasileira

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h08

A decisão da Coreia do Sul de classificar o Brasil como zona de risco para a doença da vaca louca e suspender as importações de carne bovina aumentou a preocupação do governo brasileiro. Apesar das aquisições dos sul-coreanos serem quase insignificantes - apenas 15 toneladas de carne processada em 2012 -, a adesão do sexto país ao embargo confirma a impressão de que há um efeito dominó em curso e que outros países podem ainda aderir.

Os riscos principais para o Brasil são Rússia e Venezuela, respectivamente o primeiro e o quarto na lista dos maiores compradores de carne brasileira. Na semana passada, o Ministério da Agricultura conversou com os grandes importadores e teria ouvido a garantia da maioria deles de que não haveria restrições. No entanto, a Arábia Saudita, um dos que garantiram que as compras seriam mantidas, anunciou na segunda-feira o embargo, assim como o Egito, que pelo menos restringiu a suspensão a carnes vindas do Paraná, onde um animal, que morreu em 2010, era portador da proteína causadora da doença.

Na Venezuela, a decisão não foi tomada, mas há pressão da associação dos produtores sobre o governo local para que determine a suspensão das importações. Na Rússia, que negocia com o Brasil o fim do embargo da carne brasileira produzida no Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso - por outras razões que não a doença da Vaca Louca - o governo estuda manter a proibição de compra de carne bovina apenas do Paraná, agora por causa da doença.

Insegurança. O Itamaraty está levantando informações sobre os resultados das gestões feitas por seus diplomatas para explicar o caso e tentar convencer os importadores de que não há riscos reais. Ontem, uma missão do Ministério da Agricultura que está em Genebra pediu para hoje um reunião com os seis maiores importadores.

O Itamaraty aguarda o resultado dessas reuniões para abrir as chamadas consultas formais na Organização Mundial do Comércio (OMC) com os países que determinaram o embargo. Também deve iniciar uma discussão sobre o caso no Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da própria organização.

Ontem, a Confederação Nacional Agricultura (CNA) fez uma reunião por webconferência com os adidos agrícolas na Bélgica, na África do Sul, e nos EUA para tratar das restrições. Segundo Odilson Luiz Ribeiro e Silva, adido em Bruxelas, a União Europeia deve esperar as explicações do governo brasileiro antes de adotar qualquer medida. Já Gilmar Hens, de Pretória, acredita que a decisão sul-africana de aderir ao embargo é mais uma estratégia de negociação do que uma real preocupação com a qualidade da carne brasileira./COLABOROU VENILSON FERREIRA

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