Coréia flexibiliza importação de carne bovina dos EUA

A Coréia do Sul concordou na sexta-feira aretomar as importações de carne bovina norte-americana apósWashington assumir o compromisso de elevar os padrões desegurança do produto, avançando em direção a um acordo maisamplo sobre comércio entre os dois países. A retomada das importações coreanas remove um grandeobstáculo para que o Congresso dos EUA aprove aquele que seriao maior acordo comercial desde a inauguração do TratadoNorte-Americano de Livre-Comércio (Nafta, em inglês) em 1994. Além disso, a brasileira JBS, que possui forte atuação nosEUA, deve se beneficiar com a decisão coreana. O Ministério da Agricultura sul-coreano divulgou em umcomunicado que as importações de carne bovina dos EUA serãoexpandidas gradualmente, sendo autorizada a aquisição de carnede animais com menos de 30 meses de idade na primeira etapa. A carne de animais mais velhos será permitida a partir domomento em que os padrões de segurança norte-americanos foremaperfeiçoados. A Coréia do Sul, que chegou a ser o terceiro maior mercadoimportador de carne bovina dos EUA, impôs um embargo ao produtoem 2003 após um surto de encefalopatia espongiforme bovina --adoença da vaca louca-- no rebanho norte-americano. Posteriormente, o embargo foi amenizado e as importações decarne bovina dessossada de animais com menos de 30 meses deidade foram autorizadas novamente. Os congressistas norte-americanos disseram que um acordofirmado um ano atrás com a Coréia do Sul seria prejudicado amenos que o país abrisse os mercados completamente para a carnebovina dos EUA. Analistas estimaram que o acordo comercial, que precisa deaprovação dos senadores nos dois países, pode elevar em 20bilhões de dólares as transações comerciais entre as nações,atualmente em 78 bilhões de dólares anuais. MARGENS MAIORES PARA JBS A reabertura da Coréia para a carne norte-americana vemnuma hora em que a indústria dos EUA atravessa um momentorelativamente difícil, com alta de custos de insumos, excessode capacidade de processamento e exportações vacilantes, emparte devido a embargos por conta da doença da vaca louca. "A abertura do mercado sul-coreano para a carne bovinaamericana proporcionará melhores margens para a JBS USA",afirmou um comunicado da empresa, que adquiriu em março asnorte-americanas National Beef e Smithfield Beef . Além dessas duas companhias, cuja compra ainda precisa seraprovada pelo órgão de antitruste dos EUA, o JBS atua naquelepaís com a Swift, adquirida em 2007, e deve se tornar a maiordo mundo em vendas de carne bovina, assim que as aquisiçõesmais recentes forem aprovadas. "A JBS, com uma base de produção extensiva nos EUA, temampla possibilidade para atender este mercado (da Coréia)",informou um comunicado. As ações do JBS subiam, por volta das 15h40, 3,5 por cento. "Os sul-coreanos representam um mercado importante pelosprodutos que importam, como costela e pescoço com osso, queagregam valor para as margens americanas." (Reportagem adicional de Jack Kim em Seul, Michael Byrnesem Sydney e Roberto Samora em São Paulo)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.