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Cornélio Brennand estreia em São Paulo com hotel

Grupo pernambucano fecha sociedade com fundo soberano de Abu Dhabi para desenvolver empreendimento da bandeira Four Seasons

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2015 | 02h03

O grupo pernambucano Cornélio Brennand vai anunciar hoje uma sociedade com o fundo soberano do Emirados Árabes Unidos, o Abu Dhabi Investment Authority (Adia), para lançar o primeiro hotel da rede canadense Four Seasons no Brasil, em São Paulo. A estrutura da negociação envolve uma joint venture entre a empresa imobiliária do grupo brasileiro, a Iron House, com uma subsidiária integral do fundo soberano árabe, a Tamweelview European Holdings, que administra ativos imobiliários no mundo todo.

O Four Seasons de São Paulo já está em construção no Parque da Cidade, um projeto de bairro planejado desenvolvido pela Odebrecht Realizações Imobiliárias que contempla um complexo multiuso de 82 mil m². O edifício do Four Seasons terá 29 andares, sendo 16 deles destinados a um hotel de luxo e os outros 13 serão ocupados por unidades residenciais, atendidas pelo serviço de hotelaria. Ao todo, serão 254 quartos de hotel e 84 unidades residenciais.

As obras, iniciadas em dezembro, devem ser concluídas em 2017. Os grupos não abrem os dados financeiros do empreendimento, mas fontes de mercado estimam que o custo para construir cada quarto de um hotel desse padrão varia entre R$ 500 mil e R$ 900 mil, o que orçaria o projeto de hotelaria em até R$ 230 milhões. As unidades residenciais devem ser lançadas no fim do ano e vendidas ao preço médio de R$ 27 mil o metro quadrado, segundo o CEO da Iron House, Ruy Rego.

A Iron House foi criada há quatro anos pelo grupo pernambucano para investir em projetos imobiliários, dentro da estratégia de diversificação da família. O grupo Cornélio Brennand é um dos acionistas da Cimento Portland, dono da única fabricante de vidro 100% nacional (a Vivix Vidros Planos) e de uma empresa de energia, a Atiaia Energia, que tem investimentos hidrelétricos e eólicos no Brasil e no Chile.

A construção do Four Seasons é o primeiro projeto do grupo em São Paulo. "Fizemos um estudo de mercado sobre potenciais investimentos imobiliários no Brasil", explicou Rego. "A crise deixa todos mais cautelosos. Mas há um descasamento entre oferta e demanda por esse produto que justifica o investimento."

A Iron House comprou o terreno para fazer o hotel do Parque da Cidade no fim de 2011 e fechou um contrato com a Four Seasons em 2012 para fazer o hotel de São Paulo e outro projeto em Recife - com lançamento ainda sem data definida. Desde então, vem procurando sócios financeiros para o projeto, até fechar com o Adia. "É um produto que ainda não é comum no Brasil, mas é conhecido do investidor estrangeiro." O contrato com a empresa do Adia foi assinado em 30 de julho. "Com o dólar alto, o retorno ficou mais interessante para eles."

Marca canadense. Criada em 1960, a rede canadense tem 93 hotéis espalhados em 39 países. Mesmo antes de fechar o contrato com a Iron House, a rede vinha investindo em marketing no Brasil e chegou a negociar com outros parceiros o lançamento da marca no Brasil.

De acordo com o CEO da Four Seasons, Allen Smith, os projetos da marca para o Brasil são de longo prazo e não foram modificados por causa da crise econômica no País. "O Four Seasons entra nos novos mercados com a intenção de se estabelecer no longo prazo. E ainda vemos um ótimo potencial para os nossos negócios no Brasil no longo prazo", afirmou.

A empresa poderá abrir "três ou quatro" hotéis no Brasil no médio prazo, disse Smith. Além de São Paulo, o executivo disse que a empresa tem interesse em prospectar projetos no Rio, em Brasília e em destinos de resorts.

A empresa não costuma ser investidora dos projetos hoteleiros, mas apenas operadora dos hotéis, fechando negócios com parceiros na área de desenvolvimento imobiliário e investidores. A Iron House não tem exclusividade para o uso da marca no Brasil. Antes de fechar o contrato com ela, a Four Seasons negociou com outros parceiros, entre eles o empresário Eike Batista, que era dono do hotel Glória, no Rio.

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