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Coronavírus devora a economia global

Dia a dia, notícias terríveis estão caindo sobre os escritórios; fábricas chinesas de carro já reduziram a produção e a L'Oreal vai ficar com unidades fechadas até o próximo dia 2

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 08h20

Na França, costumávamos dizer na época dos "anos loucos" (dos americanos como Fitzgerald), de pintores (tais como Picasso ou Cícero Dias), que "tudo acabava em canções". A rua era animada, insolente, brincalhona.

Hemingway escreveu uma bela história: Paris é uma Festa. Mas, neste ano de 2020, iniciado em mágoa, ninguém se atreveria a demonstrar essa alegria das décadas de 1920 a 1930. O mundo inteiro não é mais uma celebração. Em meados de janeiro de 2020, ninguém teria insolência para cantarolar: “O mundo é uma celebração”. Se eles ainda quisessem cantar, diriam: “O mundo é o preço do mercado de ações".

Dia após dia, notícias terríveis estão caindo sobre os escritórios: Pequim, 21 milhões de habitantes, é uma cidade morta. Até os entregadores, que geralmente estão fervilhando, ficaram em casa. E se você escuta pelas persianas fechadas, ouve um homem conversando com alguém: “Queríamos celebrar o Ano Novo Lunar. Mas, na realidade, estamos monitorando o progresso do coronavírus”.

E quando terminaremos de contar as pessoas afetadas pelo mal? O que se pode fazer? Ouvimos os preços da Bolsa. “É que o flagelo parece estar acampado em território conquistado. De qualquer forma, estamos começando a contar não apenas os mortos ou os deslocados, mas também as quedas do mercado de ações, a resistência do comércio, as exportações, os circuitos turísticos etc. Para delimitar à França e aos produtos de beleza: a fábrica que faz produtos de maquiagem que empregam uma grande equipe. "Essa é nossa resposta, por enquanto. As fábricas da L'Oréal estão fechadas até o final das comemorações do Ano Novo Lunar, 2 de fevereiro. Depois veremos mais claramente.”

Na mesma região, são os fabricantes de automóveis que estão sob expectativa: Wuhan, a 350 km, é uma cidade de 11 milhões de habitantes, produz 17 milhões de carros por ano, PSA e Renault, entre outros. O mercado de ações do país já está em alerta. As fábricas não estão paradas, mas diminuíram a produção.

No setor de turismo, um ponto forte da França, os rostos são serenos, mas as pessoas têm a sensação de que esse otimismo está em ordem, pois o comércio obriga. O presidente francês da União das Indústrias Hoteleiras é cauteloso: “Teremos de esperar até meados de fevereiro para medir o impacto do vírus no comércio”. Outros, estranhamente, longe de lamentar, veem o contrário como uma chance. É o caso do Plaza Athénée, cujo diretor não espera um grande cancelamento de reservas.

Os chineses gastam sem avaliar. Geralmente eles compõem 25% dos clientes das Galeries Lafayette. Estima-se que o vírus possa reduzir seus lucros em 10%. É claro que todas essas trocas, essas fábricas, essas lojas estão de olho na saída mais ou menos distante da crise.

Outros já estão de olho em horizontes mais distantes e lembram-se de que durante alertas comparáveis, assim que o perigo desaparece, o comércio compensa rapidamente as perdas sofridas antes. Eles citam o precedente da epidemia mais brutal e mais mortal em 2003. Mas, entre essa multidão de incógnitas, como ler as equações que nos levariam a retomar o voo. Somente seres, até agora jamais vistos, talvez pudessem nos esclarecer. As Bolsas de Valores, por mais bem administradas que sejam, fracassam no momento em relação ao destino que essas pessoas nos levam. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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