Adriano Machado/Reuters
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ESG

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‘Coronavírus não afeta apetite por infraestrutura', diz ministro

Ministro diz que concessões serão operadas por décadas por investidores que têm perfil de longo prazo

Entrevista com

Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 04h00

O programa de concessões de infraestrutura brasileiro envolve ativos e investidores com perfis de longo prazo. É com base nesse perfil duradouro dos projetos e dos investimentos que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, se apoia para descartar impactos da propagação do coronavírus sobre a atratividade de capital estrangeiro para os leilões de aeroportos no País.

“Quando se fala de concessões de infraestrutura, está se tratando de ativos que serão operados por décadas e de um perfil de longo prazo”, disse o ministro em entrevista ao Estadão/Broadcast. A pasta se prepara para a concessão de mais três blocos de aeroportos – norte, centro e sul – com leilão a ser realizado em outubro, com 22 aeroportos. Freitas também comentou o episódio da devolução do Aeroporto de Natal pela concessionária Inframerica.

A seguir os principais trechos da entrevista.

O aumento de casos de coronavírus no Brasil pode exercer impactos sobre a atratividade do capital estrangeiro pelos leilões de aeroportos no País?

Estamos falando de concessões de ativos que serão operados por décadas, um mercado relevante e um perfil de investidor de longo prazo. É um modelo de concessão já consolidado após trilhar uma curva de aprendizado e que vem dando muito certo, vide as últimas concessões. Não vejo o apetite dos investidores por esse tipo de ativo sendo afetado pelo coronavírus.

Qual sua visão sobre a devolução do aeroporto de Natal pelo Grupo Inframerica?

A concessão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante foi uma das primeiras experiências no setor, ainda em 2011. O contrato foi anterior a uma série de inovações de modelagem que vêm sendo aplicadas com muito sucesso no setor. O Ministério da Infraestrutura entende a devolução da concessão como um movimento natural de mercado.

Mas uma devolução de concessão não passa uma imagem ruim para o investidor?

Não. Trata-se de mais um passo significativo na consolidação dos mecanismos criados pelo Decreto 9.957 (que regulamenta o procedimento para relicitação dos contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário, de que trata a Lei 13.448), o que passa uma boa mensagem aos investidores de segurança jurídica, proteção aos contratos e, principalmente, de respeito aos usuários, que contarão com a continuidade dos serviços.

O governo pretende fazer agora com o aeroporto de Natal?

O aeroporto de Natal é um ativo extremamente interessante. Tem proximidade com América do Norte e Europa e é uma região turística de enorme potencial e com investimento estrangeiro consolidado. Vamos fazer uma reestruturação muito mais moderna da modelagem. Estamos confiantes de que será um ativo muito disputado num leilão futuro.

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