"Corralito" acirra disputa entre forças da economia argentina

O conflito entre o presidente do Banco Central argentino, Aldo Pignanelli, e o ministro de Economia, Roberto Lavagna, continua ganhando decibéis, mas o mercado parece não se assustar tanto com a disputa. O novo foco de briga entre os dois é o decreto para frear a ação da Justiça contra o "corralito", especificamente os artigos terceiro e quarto, elaborados pelo ministério de Economia. Como se já não bastassem os protestos dos mais diversos segmentos da sociedade e da própria Justiça, que já começou a reagir contrariamente ao decreto, Pignanelli o classificou de "desastre".Pelos artigos, o BC fica obrigado a pagar os depósitos às pessoas que sofrem de doenças ou têm mais de 75 anos de idade. Pignanelli afirma que além do BC não se encontrar em condições de atender aos milhares de depositantes nesta situação, o decreto fere a lei da Carta Orgânica da instituição. O presidente Eduardo Duhalde e o ministro Lavagna não consultaram Pignanelli sobre a conveniência do decreto que, agora, o presidente do BC quer alterar através da regulamentação dos artigos. Fontes do BC informaram que houve um novo bate-boca entre os dois cabeças da equipe econômica e que Lavagna continua se mostrando inacessível à um diálogo com Pignanelli.No mercado, os analistas opinam que esta situação de conflitos públicos entre os dois não pode durar muito mais tempo, já que compromete a imagem do país junto aos organismos internacionais, como o FMI, com quem o governo tenta um acordo com a maior urgência. Quando o presidente Duhalde regressar do Equador, para onde viajou ontem, deverá tentar solucionar essa divisão entre a equipe econômica. A aposta é pela saída de Lavagna devido à aprovação que o FMI tem dado ao BC e à manutenção de sua independência. Aliás, durante este período de brigas, o BC tem continuado seu trabalho junto à missão do FMI que se encontra no país até hoje. Juntos, tratam de reformular as metas do programa monetário.Tanto Lavagna quanto Pignanelli estão sendo severamente criticados por esta disputa pelo poder num momento em que o país vive a pior crise social e econômica de sua história. Eles chegam a ser classificados, por alguns analistas, de "infantis, imaturos e irresponsáveis". O mercado, no entanto parece já não dar bola para o bate-boca diário dos senhores que conduzem a economia do país. O dólar oficial baixou 0,6% (3,60 pesos), o paralelo caiu 0,3% (3,68) e o BC conseguiu aumentar suas reservas para US$ 8,6 bi.As taxas de overnight estão em 55% anual para entidades de primeira linha e 70% para os bancos menores. Os bancos ofereceram juros de 6,7% mensal para aplicações de sete dias. O Banco Central também conseguir reduzir as taxas de juros em suas colocações de títulos no mercado. Ontem, o BC colocou 237 milhões de pesos em letras a 14 dias com uma taxa de 100% anual ante 119%, e 46 milhões de dólares em letras em dólares também a 14 dias, com juros de 0,2%.Leia o especial

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