"Corralito" é cenário impensável no Brasil, diz La Nación

Em sua edição online, o jornal argentino La Nación afirmou hoje que é "impensável" a implantação no Brasil de um corralito similar ao estabelecido na Argentina desde o final do ano passado. O diário citou as opiniões de diversos analistas de bancos de investimentos brasileiros que descartaram a possibilidade do confisco dos depósitos bancários no País.Odair Abate, do Lloyds, Aquiles Mosca, do ABN Amro Asset Management, Sergio Verlang, do Banco Itaú, e um analista de um banco europeu que preferiu manter o anonimato, disseram ao jornal que o novo governo estará em condições de conduzir o complicado processo de pagamento da dívida pública. Eles enfatizaram que o default argentino não tem porque se repetir no Brasil.Abate argumentou que nenhum dos candidatos pode pensar em impor as restrições financeiras aos correntistas "em função dos processos judiciais que provocaria e pela terrível experiência ocorrida no governo Collor". Por sua vez, Mosca explicou que, apesar do aumento do dólar e da baixa dos títulos externos, "os brasileiros não sacaram seu dinheiro do País". Ele lembrou que o futuro presidente, se tiver a intenção de restringir os saques, teria de passar pelo Congresso, onde enfrentaria fortíssima resistência.Segundo Verlang, em maio deste ano houve uma fuga de capitais dos fundos de investimentos com renda fixa, em virtude de uma medida do Banco Central que afetou a sua rentabilidade. Mas os correntistas não migraram para o dólar e preferiram transferir seus depósitos para cadernetas de poupança. Desde então, afirmou, não houve contração monetária.Com a mesma convicção, o diretor do Banco Itaú descartou a possibilidade de o governo optar por uma suspensão dos pagamentos nos próximos meses, aludindo ao acordo firmado com o FMI que permite ao País dispor de US$ 30 bilhões até o final de 2003. "Não existe necessidade de se buscar financiamento até o final do próximo ano e os pagamentos internos podem ser renovados como o foram até agora", disse.Seu colega anônimo de um banco de investimentos britânico disse que Lula, caso eleito, "sabe bastante bem quais são os custos de não tomar um caminho que desagrade aos mercados". Todos os analistas consultados disseram que, apesar dos temores do mercado de um default brasileiro, não se pode comparar a situação de sua economia com aquele ocorrida na Argentina há 12 meses. Eles afirmaram que a maior parte da dívida pública brasileira é interna e está em mãos de credores locais, que deverão aceitar os pagamentos em reais, e não em dólares.

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