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Correa liga para Lula, mas não desfaz constrangimento

Ministro Celso Amorim vai além e diz que em algumas ações 'não há tolerância além dos limites'

Leonêncio Nossa, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 13h42

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou neste sábado, 22,  ao presidente do Equador, Rafael Correa, "profundo desagrado" com a atitude do colega equatoriano, de submeter a uma arbitragem internacional a decisão de aplicar um calote de U$ 597 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Correa ligou para Lula às 10 horas, na tentativa de se explicar, mas não encontrou nenhuma boa vontade do brasileiro, de acordo com informação de assessores do Palácio do Planalto.     Veja também: Equador tenta minimizar tensão diplomática com o Brasil Embaixador do Brasil no Equador é convocado para consultas Equador apresenta recurso para não pagar dívida ao BNDES   Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou, em entrevista à Glonews, que embora o Brasil continue querendo ter uma atitude positiva com relação aos países vizinhos, quando há ações que não se justificam, "nós temos que demonstrar que não há uma tolerância além dos limites do que é uma compreensão natural entre países e amigos".   Na sexta-feira, Amorim já havia ressaltado a gravidade da situação ao comentar o chamado do nosso embaixador no Equador. Ele disse que "todo mundo que conhece diplomacia sabe o que isto significa". A medida é o primeiro passo para o rompimento das relações diplomáticas.   O descontentamento com o posicionamento do governo equatoriano também foi reforçado por Lula a Correa no telefonema deste sábado. O presidente brasileiro disse  que estava irritado também com a forma como o Equador anunciou o calote, sem ter avisado nada ao Brasil. Conforme informação de assessores de Lula, no telefonema Correa disse que lamentava o fato de as declarações dele à imprensa, em Quito, terem trazido "ruído" nas relações bilaterais entre os dois países. Disse ainda que Lula é uma referência para a geração dele, Correa, e um grande líder do continente. Mas isso não acalmou o brasileiro.Ainda conforme os assessores, Lula deixou claro que não estava nem um pouco satisfeito e que o telefonema de Correa não diminuía em nada a crise. Lula informou a Correa que chamara o embaixador do Brasil em Quito a explicar o que de fato está ocorrendo entre os dois países. E que, apesar de já ter conversado com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ainda quer falar de novo sobre as complicações existentes, visto que o financiamento da Hidrelétrica de São Francisco originalmente foi de U$ 243 milhões e, com dez adendos ao contrato, chegou a U$ 597 milhões. O Equador tem de pagar uma parcela de U$ 14 milhões em dezembro.Lula disse ainda a Correa que, depois de conversar com o embaixador e novamente com o BNDES, tomará uma decisão, mas fará o comunicado pela via diplomática, por não querer alimentar um bate-boca pela imprensa com o colega equatoriano. De acordo com diplomatas, o Brasil não cederá em nada na disputa com o Equador, para não repetir o que fez com a Bolívia, quando aceitou rediscutir contratos e assistiu impassível à invasão das instalações da Petrobras. Ainda conforme diplomatas, no caso da Bolívia, o Brasil tem uma dependência do gás do vizinho, além de Lula ter um carinho especial por Evo Morales.Quanto ao Equador, o Brasil não tem nenhuma dependência de recursos naturais do país nem o presidente Lula tem qualquer aproximação pessoal com Rafael Correa. Lula irritou-se com Correa desde que ele decidiu expulsar a Construtora Odebrecht e Furnas do país, além de ameaçar mudar os contratos com a Petrobras.

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