CORREÇÃO-Importações desaceleram EUA no 2o tri

O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou no segundo trimestre, com o investimento pesado das empresas em equipamentos estrangeiros e com a redução do gasto do consumidor, gerando dúvidas sobre a recuperação do país no resto de 2010.

(CORRIGE 6O, REUTERS

30 de julho de 2010 | 17h10

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu 2,4 por cento a uma taxa anualizada, disse o Departamento do Comércio em sua primeira estimativa, após a expansão revisada para cima de 3,7 por cento no primeiro trimestre.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que o PIB cresceria 2,5 por cento no segundo trimestre. Previamente, o governo havia informado uma expansão de 2,7 por cento primeiro trimestre deste ano.

"A antecipada desaceleração da economia está ocorrendo. Será que os investimentos vão despencar pelo desfiladeiro no próximo trimestre se o consumo doméstico continuar fraco?", questionou Lee Olver, diretor de estratégias financeiras na Madison Williams & Co., em Houston.

Um outro relatório mostrou que a atividade empresarial na região Meio-Oeste dos EUA se expandiu mais que o esperado neste mês, devido à força das encomendas. O índice do Instituto de Gestão de Fornecimento de Chicago subiu de 59,1 para 62,3 em junho, acima da previsões do mercado para uma leitura de 56,5.

A confiança do consumidor norte-americano diminuiu neste mês para a mínima desde novembro, de acordo com a pesquisa da Thomson Reuters/Universidade de Michigan.

A economia, que está saindo de sua pior recessão desde a década de 1930, registrou seu quarto trimestre de crescimento, mas o ritmo tem sido moderado, com impacto limitado sobre a alta de desemprego.

Uma economia ainda relativamente sem força e o grande desemprego tem desgastado a popularidade do presidente Barack Obama. Uma pesquisa Reuters-Ipsos mostrou esta semana que apenas 34 por cento aprovam a condução da economia e da questão dos empregos por Obama, enquanto 46 estão insatisfeitos.

IMPACTO DAS IMPORTAÇÕES

A expansão do segundo trimestre foi contida por um salto de 28,8 por cento das importações, que ofuscou o avanço de 10,3 por cento das exportações. Isso gerou um déficit comercial que tirou 2,78 pontos percentuais do PIB, a maior subtração desde o terceiro trimestre de 1982.

Tirando o setor externo, no entanto, os dados foram positivos. Os estoques empresariais avançaram 17 por cento, a maior taxa desde o primeiro trimestre de 2006, após a alta de 7,8 por cento nos primeiros três meses do ano.

O gasto com equipamento e software foi o maior desde o terceiro trimestre de 1997, enquanto os investimentos em construção aumentaram pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2008, impulsionados pela elevação da extração de petróleo e gás natural.

Por causa da queda no gasto do consumidor, economistas se preocupam que as empresas podem ter adotado uma visão muito otimista sobre a recuperação. Eles esperam que o gasto desacelere nos próximos trimestres.

"É bom ver que eles estão colocando dinheiro na economia, mas o quão sustentáveis são esses números?", disse Joel Naroff, da Naroff Economic Advisors em Holland, Pensilvânia.

"As empresas estão compensando o terreno perdido. Quando eles compensarem e, se eles estiverem esperando uma expansão mais lenta, eu acho que eles diminuirão sua atividade de investimento."

A construção de moradias saltou 27,9 por cento, depois de ter sido um dos pontos negativos do primeiro trimestre, refletindo os estímulos dados por um crédito fiscal a compradores. A alta foi a maior desde o terceiro trimestre de 1983.

O relatório trouxe alguns pontos de preocupação também. O gasto do consumidor não foi tão forte quanto se espera, crescendo 1,6 por cento no segundo trimestre, ante 1,9 por cento no primeiro, dado revisado ante a leitura preliminar de 3 por cento. O gasto com do consumidor normalmente representa 70 por cento da atividade econômica dos EUA.

Com tanta demanda doméstica saciada pela produção estrangeira, os estoques das empresas dos EUA aumentaram, subindo 75,7 bilhões de dólares no segundo trimestre, após alta de 44,1 bilhões de dólares nos primeiros três meses do ano.

Os estoques empresariais aumentaram 75,7 bilhões de dólares no segundo trimestre, ante 44,1 bilhões de dólares no primeiro.

Excluindo os estoques, que podem limitar a produção futura, a economia teria se expandido apenas 1,3 por cento no segundo trimestre.

Outros relatórios mostraram que as condições atuais de negócios na cidade de Nova York caíram em julho ao menor nível em 11 meses, enquanto os custos com emprego no segundo trimestre cresceram apenas 0,5 por cento, pois a economia moderada limitou os salários e os custos com benefícios diminuíram.

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