Correções de mercado são alerta, diz Meirelles

Para presidente do Banco Central, mercados financeiros ainda vão sofrer com as oscilações

Entrevista com

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

As correções realizadas pelos mercados financeiros no Brasil e nas principais praças internacionais são um alerta de que a exuberância ainda não voltou, de acordo com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Reunido com empresários brasileiros e franceses na tarde de ontem, em Paris, Meirelles reafirmou que as flutuações nos preços das commodities e do dólar vão continuar porque a crise persiste. A avaliação foi feita ao fim da reunião promovida pela Câmara do Comércio do Brasil na França, no Bristol Hotel, em Paris. Ainda sob o impacto da onda de pessimismo que tomou os mercados internacionais na segunda-feira - quando a Bovespa caiu 3,66% e o dólar subiu 2,58%, atingindo R$ 2,024 -, Meirelles ressaltou a necessidade de prudência. "As correções dos mercados nos últimos dias podem continuar e confirmam o que temos dito recentemente. Não há um espaço para clima de ?voltou ao que era antes? e ?vamos partir para a exuberância novamente?", afirmou. "As correções foram um alerta para aqueles que apostam que o preço das commodities e o real só vão subir, e que o dólar só vai cair." A instabilidade prossegue, segundo Meirelles, porque a recuperação da economia mundial será "lenta, gradual e sujeita a muitas variações". Apesar das advertências, o presidente do BC reiterou que as previsões indicam que o pico da crise foi superado. A perspectiva será confirmada - ou não - pelo relatório de projeções do Banco Central, que será divulgado na próxima semana. MOEDASEm meio a uma agenda repleta de eventos em Paris, na França, e Basileia, na Suíça, Henrique Meirelles confirmou ontem que dará início nesta semana às discussões sobre a adoção de moedas locais em operações de comércio exterior. Os debates serão realizados em encontros com os presidentes dos BCs da China, da Índia e da Rússia - os Brics -, durante as reuniões na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS). "Vou me reunir com cada um deles individualmente para entender quais são as dificuldades, qual é o nível de interesse, mostrar o que já fizemos com a Argentina, o que estamos trabalhamos com o Uruguai, entender o que já foi feito na Ásia", confirmou Meirelles. "A partir daí, vamos discutir com a orientação dos chefes de Estado."Meirelles não descartou a possibilidade de as discussões se estenderem aos projetos de substituição do dólar como moeda de reserva. "O que estamos falando é de moeda de comércio. Sobre moeda de reserva, tem outra discussão, que envolve até mesmo saber qual seria essa moeda", ressaltou. "Nada impede que discutamos também a moeda de reserva." A determinação para a reunião dos presidentes dos BCs foi tomada pelos chefes de Estado e de governo durante a Cúpula dos Brics, na semana passada, em Ecaterimburgo, na Rússia.

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