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Correios não recebem proposta pelo Banco Postal e estudam prorrogar prazo

Ao menos três bancos teriam retirado o edital, mas não apresentaram proposta pelo negócio; vencedor tem de pagar já neste ano R$ 600 milhões

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2016 | 19h19

Os Correios não receberam nenhuma proposta na oferta do Banco Postal e estudam ampliar o prazo, que venceu nesta sexta-feira, para a venda do negócio. O Estado apurou que um dos cinco maiores bancos em operação no País retirou o edital nesta sexta-feira, mas não fez nenhuma proposta. Por esse motivo, a empresa estatal deve reabrir a possibilidade para que os bancos façam ofertas para assumir o negócio, criado para aumentar a inserção dos brasileiros no sistema financeiro.

Como o Estado antecipou, outros dois grandes bancos tinham retirado o edital e os Correios esperavam proposta dessas casas. Bradesco e Banco do Brasil, porém, não fizeram nenhuma oferta pelo negócio. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, disse nessa quinta-feira que o Banco Postal "não faz sentido" para o banco. Ele lembrou que a rede do banco está presente em todos os municípios brasileiros e que foi ampliada com a estrutura do HSBC. Já o Banco do Brasil não gostou dos termos do edital. Embora não ache o negócio de todo ruim, o BB acredita que os Correios pedem muito pelo Banco Postal.

Pelos termos do edital atual, o vencedor tem de pagar já neste ano R$ 600 milhões. O mesmo valor tem que ser desembolsado no início do sexto ano da operação - o contrato é de dez anos e pode ser prorrogado por mais dez. Pela utilização da rede e participação nas tarifas bancárias, os Correios também embolsarão outros R$ 2,4 bilhões ao longo dos primeiros dez anos do contrato.

Os Correios contam com esse reforço no caixa para fechar no azul neste ano. Nos últimos três anos, a estatal registrou rombo, sendo o de 2015 de R$ 2,1 bilhões - a estimativa oficial é que o déficit deste ano seja por volta de R$ 2 bilhões novamente. O melhor resultado da história dos Correios foi justamente o de 2012, quando o Banco do Brasil assumiu o comando do Banco Postal, num lance de R$ 2,3 bilhões por cinco anos de contrato.

O Estado apurou que os Correios não descartam a possibilidade de colocar um ponto final no Banco Postal caso não haja interesse dos bancos pelo negócio na prorrogação do prazo. Com receita em torno de R$ 1 bilhão por ano, o Banco Postal é responsável por 30% do faturamento da rede dos Correios e 7% de todos os negócios da empresa, que tem o monopólio no envio de cartas pessoais e comerciais.

Segundo o Banco Central, 1.987 cidades não têm agência bancária, mas 1.633 delas possuem um ponto de atendimento, como os Correios, que prestam serviços bancários básicos, como transferências, abertura de contas, saques e recebimento do INSS.

Executivos de bancos dizem, sob a condição de anonimato, que o negócio tem seu potencial, mas os Correios precisam diminuir o valor que cobra pela operação porque a rede perdeu parte de sua relevância. Eles lembram que houve uma reversão do processo de ascensão da classe C, potencial público do Postal, e, ao mesmo tempo, uma ampliação no uso dos canais digitais, que desobriga os bancos de investirem da mesma forma em agências físicas.

Os Correios, porém, apontam outras atratividades do Banco Postal, presente em todos os municípios brasileiros. Citam, por exemplo, a exploração dos serviços de telefonia móvel como operadora virtual, chamada de MVNO (Mobile Virtual Network Operador). No formato, a estatal usará a infraestrutura da operadora contratada, mas com chips da marca Correios. O banco vencedor também poderá ofertar nas agências da estatal outros produtos financeiros, como seguros.

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