Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Correios querem elevar tarifas em 9%

Pedido de aumento emergencial foi feito ontem pelo novo presidente da estatal, Giovanni Queiroz, na cerimônia em que tomou posse

Eduardo Rodrigues e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 02h03

BRASÍLIA - O novo presidente dos Correios, Giovanni Queiroz, disse que a estatal pediu, em caráter de urgência, ao Ministério da Fazenda um reajuste de 8,97% nas tarifas postais dos serviços de entrega de cartas pessoais e comerciais e cartões-postais no Brasil.

Depois de dois anos de represamento, o governo autorizou, em abril deste ano, um reajuste de 7% nos preços praticados pelos Correios. A companhia queria na época um aumento maior, de 9,33%. Caso o governo conceda o novo porcentual pedido pela estatal, os serviços postais terão aumento de 16,6% no ano, quase o dobro da inflação acumulada de janeiro a outubro. Em 12 meses, a inflação acumulou alta de 9,93%.

"Esse primeiro reajuste foi aplicado em abril, mas a defasagem é maior. Temos uma defasagem de dois anos e estamos com déficit financeiro de R$ 2 milhões por dia. O pedido não cobre tudo, mas dá um alívio", afirmou Queiroz, que tomou posse ontem. Caso autorizado, o aumento só será repassado para os serviços que os Correios têm monopólio. Entregas e Sedex não devem ser reajustados. Por isso, o presidente diz que o aumento não teria grande impacto na inflação.

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'Temos uma defasagem de dois anos e estamos com déficit financeiro de R$ 2 milhões por dia. O pedido não cobre tudo, mas dá um alívio' - Giovanni Queiroz, presidente dos Correios
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Queiroz conta com o reajuste para fechar as contas da estatal no azul em 2016. Em entrevista ao Estado, publicada no sábado, ele afirmou que o déficit deste ano será de mais de R$ 900 milhões, o primeiro resultado negativo em 20 anos. Além da defasagem dos preços, Queiroz disse que parte do déficit é decorrente dos prejuízos do fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis.

Ontem, ele defendeu a modernização dos produtos e serviços oferecidos pela estatal, tendo em vista que a quantidade de correspondências enviadas no País diminui a cada ano por causa do aumento do uso da internet. "Se não modernizarmos, nossos concorrentes vão nos engolir", afirmou. Segundo ele, é preciso buscar outras parcerias para oferecer novos serviços. Ele afirmou que ainda sairão do papel os planos da estatal de ter uma operadora virtual de telefonia móvel e uma empresa aérea para transporte de cargas. Porém, Queiroz ressaltou que o momento é de cortar as despesas. Além de reduzir o próprio salário e dos vices - como medida simbólica -, o novo presidente tentará renegociar contratos com fornecedores.

O novo presidente é da cota do PDT, do ministro das Comunicações, André Figueiredo. Ele substitui Wagner Pinheiro, que completaria cinco anos à frente da estatal em janeiro de 2016. Ao entregar o cargo ontem, Pinheiro disse que estava "feliz" com o fortalecimento da base aliada do governo no Congresso. Queiroz disse que parte grande da cúpula dos Correios será trocada, uma vez que foi nomeada por Pinheiro, nome do PT e aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Politicamente não tem como ser diferente", afirmou.

Para restabelecer a base aliada no Congresso, a presidente refez a distribuição dos ministérios e deu ao PDT o Ministério das Comunicações. A mudança causou estresse com o PT. Pinheiro é aliado do ex-presidente Lula. Queiroz é de Campina Verde, no Triângulo Mineiro. Formou-se no Rio, mudou-se para Redenção, no Pará, onde fez carreira política. Foi prefeito, deputado estadual e deputado federal por três vezes pelo PDT. Perdeu as eleições de 2014 e foi indicado para o cargo de secretário no Ministério do Trabalho, quando o partido ainda comandava a pasta.

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