Correios vão atuar como banco postal

Os Correios estão dando o pontapé inicial para atuar como banco postal. O primeiro investimento somará R$ 30 milhões e será utilizado na compra de tecnologia que permita prestar vários serviços para instituições financeiras. "Estamos comprando um sistema de informatização completo, para que possamos prestar serviços para vários bancos", contou o assessor do presidente e gerente do Programa de Banco Postal dos Correios, José Oswaldo Fontoura de Carvalho Sobrinho. O cronograma prevê a entrada definitiva do empreendimento no sistema financeiro em abril de 2001. No novo cenário, os Correios vão aceitar depósitos, fazer pagamentos e transferências bancárias, entre outros serviços bancários simples, em mil agências até o final de 2001. Essas agências serão escolhidas entre os 1.732 municípios sem nenhum tipo de atendimento bancário. Até 2004, todas as agências dos Correios devem estar prestando serviços bancários.De olho nessa forma de expansão a baixo custo, Bradesco, Citibank, Caixa Econômica Federal, Unibanco, Real, BRB e Banco do Estado de Goiás já estão tendo conversas preliminares com os Correios, segundo Sobrinho. Segundo ele, serão definidas regras para limitar o número de instituições. "Vamos trabalhar com no máximo cinco bancos", previu. Ele adiantou também que serão firmados, a partir de fevereiro, contratos de cinco anos, prazo máximo permitido de acordo com a Lei das Licitações.Recursos serão administrados por instituição financeiraNa segunda etapa do projeto, de acordo com o assessor, os Correios pretendem atuar como um banco comercial, captando recursos, mas o montante seria administrado por uma instituição financeira. Segundo Sobrinho, se os contratos firmados em fevereiro do ano que vem estiverem em vigor, eles serão respeitados. Essa segunda fase depende, no entanto, da regulamentação do artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro nacional. O assunto também pode ser analisado em separado, caso o Congresso opte por aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permita a discussão dos assuntos em separado. A lei, de acordo com o assessor dos Correios, deve definir de forma explícita em que mercados e até onde o banco postal poderá atuar, e quem será responsável por sua fiscalização.O Brasil estuda a possibilidade de criação de um banco postal com assessoria do ING Barings. A instituição administra o Banco Postal de Amsterdã, que foi privatizado. Na Holanda, o banco postal é responsável por 45% das transações diárias do sistema e tem forte presença no mercado, com 80% dos clientes individuais e de grandes companhias.Metas do banco postal são ambiciosasComo banco postal, Sobrinho conta que as metas serão obter, em dez anos, volume de depósitos de R$ 17 bilhões e 14 milhões de correntistas - quase cinco vezes o número do Banespa - e obter receita marginal de R$ 300 milhões por ano. Os Correios contam hoje com 1,8 mil postos de atendimento.Nos quatro meses da parceria entre o BB e os Correios, foram abertas 2 mil contas e captados um total de R$ 20 milhões. O número surpreendeu tanto ambas as estatais, já que o projeto foi instalado em municípios sem nenhum atendimento bancário.Correios poderão atuar com qualquer banco brasileiroA possibilidade de negociação dos Correios com bancos privados ocorreu depois da publicação de portaria que quebrou o contrato de exclusividade do empreendimento com o Banco do Brasil (BB) - ambos estavam desenvolvendo projeto-piloto em 37 municípios brasileiros. Nesta semana, diretores das duas instituições se reúnem para discutir o assunto.Para Sobrinho, a portaria pôs o projeto do ex-ministro Sérgio Motta, morto em abril de 1998, em sua rota original. "Não iremos trabalhar com um banco, mas se não houver estrutura para atender a diversas instituições, faremos uma licitação", afirma. Segundo ele, não faz sentido criar mais um banco estatal, mas nada impede que se use uma estrutura já existente.O retorno financeiro dos Correios com o projeto ainda não foi fechado, mas, segundo Sobrinho, o empreendimento pretende cobrar tarifa das instituições financeiras que participem do projeto em cerca da metade do custo da transação de um banco comercial. Em relação às captações, os Correios pretendem cobrar um porcentual sobre o valor captado.Os serviços de correio e banco afetarão empregadosO assessor da Presidência dos Correios avalia que o regime trabalhista da empresa poderá ser alterado, de acordo com a proporção de atendimentos realizados para instituições financeiras e os atendimentos próprios da estatal. "Pode ser que os funcionários passem a ser enquadrados nas regras de bancos. Pode ser também que os guichês sejam separados", disse.

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