JOSÉ PATRICIO/ESTADÃO
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Roberto Rodrigues
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A importância de ampliar a corrente do comércio

É fundamental fazer acordos bilaterais com grandes países consumidores, como os asiáticos

Roberto Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2022 | 04h00

Saíram na semana passada alguns números sobre o comércio internacional brasileiro relativos a 2021. 

O primeiro mostra que a corrente comercial (importações mais exportações) atingiu o recorde histórico de US$ 499,8 bilhões, quase meio trilhão. Sem dúvida  um bom número, mas ele equivale a 31% do PIB nacional, o que é bem menor do que a porcentagem dos países desenvolvidos.

As exportações também foram as maiores da história, US$ 280,4 bilhões, bem como o saldo comercial, de US$ 61 bilhões, cerca de  21% maior que em 2020.

Uma curiosidade interessante: as exportações tiveram um crescimento de 34% em relação a 2020, mas as importações cresceram mais, ou 38,2%! 

Outro dado curioso: a China continua a ser, de longe, nosso maior parceiro comercial, sobretudo pelas importações que fazem de grãos, carnes e ferro, e a corrente de comércio com o gigante asiático aumentou 28%, menos do que aumentou com os Estados Unidos, que foi 45% e com a União Europeia, 32%, o que é um bom sinal.

Mais uma vez, o saldo comercial do agronegócio foi quase o dobro do saldo total, sustentando esse último, como tem acontecido nos últimos anos.

No entanto, algumas novidades aconteceram. Entre elas, a de que as exportações da agropecuária cresceram menos que as totais: 22%. E as importações do setor aumentaram 30,2%. Nada surpreendente: no caso das exportações, a redução se deu por causa da seca e da geada e também devido à suspensão das exportações de carne bovina para a China desde 3 de setembro, com os dois casos atípicos do “mal vaca louca”. E, no caso das importações, o espetacular aumento do preço dos insumos explica tudo. 

Temos mesmo é que aumentar mercados e diversificar produtos. Para isso é fundamental, como repetimos aqui quase mensalmente, fazer acordos bilaterais com grandes países consumidores (como os asiáticos Japão, China, Índia, Indonésia e outros), bem como multilaterais, como o célebre entre União Europeia e Mercosul, anunciado há quase 3 anos e sem avanço.

Esses acordos dependem de muito trabalho governamental, em especial Itamaraty, que vem trabalhando com afinco no tema, ao lado do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). E ainda precisamos diversificar as exportações de outras cadeias produtivas, há muito espaço para isso na fruticultura, na produção de laticínios, flores e pescados, só para citar uns poucos itens. 

Para 2022, é muito cedo para fazer previsões sobre o saldo comercial, até porque a La Niña está destruindo lavouras no Sul e parte do Centro-Oeste do País.

EX-MINISTRO DA AGRICULTURA E COORDENADOR DO CENTRO DE AGRONEGÓCIOS DA FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

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