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Corrida ao ônibus elétrico

Neste ano, 40% dos veículos novos vendidos na Noruega são elétricos e no Reino Unido até 2040 será proibida a venda de carros zero a gasolina ou óleo diesel

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2018 | 21h00

O mundo está se encaminhando para uma rápida revolução da matriz energética, não só na substituição de energia de fonte fóssil por energia renovável, mas sobretudo na substituição dos combustíveis que movem os transportes urbanos.

Em abril, a Bloomberg publicou matéria que nos dá conta de que a China está substituindo rapidamente seus ônibus urbanos movidos a diesel por veículos a bateria elétrica. Lá, em apenas cinco anos, nada menos que 385 mil ônibus elétricos, 17% da frota nacional, vêm substituindo os ônibus convencionais a óleo diesel. A troca está sendo feita à proporção de 9,5 mil unidades a cada cinco semanas, o equivalente a toda a frota de ônibus de Londres.

A dispensa de queima de óleo diesel na China já sobe a 279 mil barris diários, incluído nessa conta o consumo da frota ainda incipiente de veículos elétricos. Esses 279 mil barris diários correspondem, anota a matéria da Bloomberg, ao consumo total de óleo diesel da Grécia ao longo de um ano.

Mas a China não está só. Neste ano, 40% dos veículos novos vendidos na Noruega são elétricos. A meta é venda zero de carros a gasolina ou diesel em 2025.

O governo do Reino Unido já avisou que até 2040 estará proibida a venda de carros zero a gasolina ou óleo diesel. Esse objetivo, também nessa data, foi anunciado pela França. A Índia tomou decisão ainda mais radical. A partir de 2030, não poderá ser mais vendido carro novo movido por combustível fóssil.

Relatório da Agência Internacional de Energia dá conta de que outros nove países passaram a adotar políticas de substituição de veículos de combustão convencional por energia elétrica: Áustria, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Japão, Holanda, Portugal, Coreia do Sul e Espanha.

As montadoras começam a tocar a mesma partitura. Scania, Mercedes- Benz, Volvo, Volkswagen e Fiat já anunciaram investimentos bilionários para desenvolver veículos elétricos e híbridos como resposta à nova demanda.

Os objetivos imediatos são dois: correr para redução da poluição do ar e redução substancial da emissão de CO2 na atmosfera e, assim, tentar reverter o aquecimento global.

A consequência prática é a rápida redução do consumo de combustíveis fósseis. Os analistas já preveem que, entre 2030 e 2040, o consumo de derivados de petróleo, hoje de 100 milhões de barris diários, começará a diminuir. Ou seja, o fim da era do petróleo está à vista.

E agora vêm as consequências para o Brasil. Primeira, será inevitável a substituição também por aqui da frota de ônibus urbanos a óleo diesel por ônibus elétricos. A China está mostrando a direção. Isso implica completa revisão das políticas de mobilidade urbana, especialmente nas metrópoles.

Segunda consequência, não dá mais para perder tempo na área do petróleo. Se é para garantir a produção da riqueza do pré-sal, é inevitável apressar os leilões de área. O programa do governo PT quer o contrário. Quer diminuir a velocidade dos leilões, supostamente para dar tempo para que a indústria nacional de equipamentos para petróleo e gás consiga se desenvolver.

Esta é mais uma grande mudança a que o Brasil chega tarde demais, sob o risco de ficar definitivamente para trás. 

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