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Corrupção em carnes ameaça contaminar acordo entre UE e Mercosul

Produtores exigem exclusão de setor de um acordo comercial

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2017 | 12h06

GENEBRA - As revelações sobre a corrupção nos certificados de carne vão afetar as negociações entre o Brasil e a União Europeia para o estabelecimento de um acordo de livre-comércio até o fim do ano e ameaçam até mesmo as exportações atuais. Nesta sexta-feira, a Confederação Europeia de Produtores Agrícolas indicou ao Estado que está estudando os acontecimentos no Brasil e poderá pedir que a diplomacia europeia restrinja qualquer nova abertura comercial ao Brasil nesse setor.

Uma reunião entre o Mercosul e a UE está marcada para ocorrer no fim deste mês, com o debate sobre as ofertas de liberalização entre as duas partes e, principalmente, a situação sanitária. No ano passado, os blocos apresentaram o que poderiam abrir em termos comerciais, com o Mercosul sendo pressionado a liberalizar o setor industrial, enquanto a Europa é solicitada a reduzir tarifas para as exportações agrícolas dos países sul-americanos.

Um dos centros do pedido do Mercosul, porém, é uma ampliação de cotas para a exportação de carnes, o que não estava na primeira oferta. Bruxelas havia indicado que estava disposta a incluir, com a condição de que os brasileiros oferecessem maior abertura em setores estratégicos, como automobilístico.

Na semana passada, a entidade de produtores já havia enviado uma carta confidencial à Comissão Europeia colocando duas exigências. A primeira era de que houvesse uma garantia que apenas um gado registrado e com monitoramento fosse autorizado a entrar em um acordo de exportação de carnes nacionais para o mercado europeu. Já no comunicado, os europeus insistiam que não tinham confiança no sistema de controle sanitário do bloco sul-americano.

A carta ainda pedia aos diplomatas europeus que também não colocassem na lista de bens que poderiam entrar no mercado da UE o frango brasileiro alimentado com certas rações consideradas como ilegais na Europa.

Os produtores agrícolas têm o apoio de cerca de 12 dos 27 países do bloco europeu, que resistem em aceitar qualquer tipo de liberalização comercial para o setor rural. A Comissão Europeia até este momento não se manifestou sobre o protesto dos produtores agrícolas nem sobre o caso de corrupção no Brasil.

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