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Corrupção no mundo movimenta mais de um 'Brasil' por ano

Estimativas publicadas pela OCDE indicam que US$ 2 trilhões são perdidos para a corrupção e propinas a cada ano

Jamil Chade, correpondente, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2017 | 08h38

GENEBRA - Considerada como uma "indústria global", a corrupção movimenta por ano cerca de US$ 2 trilhões, o equivalente a todo o PIB da França ou superior à economia brasileira. O alerta é da OCDE que, ao lado do Banco Mundial, publicam nesta terça-feira um informe apontando que o desvio de dinheiro de cofres públicos mina os benefícios da globalização e impedem que ganhos econômicos sejam investidos em educação, tecnologia e infraestrutura de qualidade nos países. 

O levantamento estima que o dinheiro anual destinado à corrupção é metade de tudo o que o mundo precisa para garantir uma infraestrutura adequada a seus cidadãos até 2030. "Volumes grandes são pagos a mãos corruptas para ganhar contratos e ter acesso a negócios de uma forma que não é baseada no mérito", diz a OCDE, alertando que os recursos acabam servindo ao interesse privado e não aos interesses nacionais. 

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Segundo a entidade, a ideia de que a corrupção em países que recebem investimentos estrangeiros é uma realidade para a entrada nessas economias é falaciosa. De acordo com o estudo, propinas "não ajudam no crescimento de países onde investimentos estrangeiros" tem um papel central na economia. "Ao invés disso, o dinheiro desaparece em empresas de fachada e contas bancárias no exterior de políticos e dirigentes", disse. 

"As evidências mostram que países corruptos recebem menos investimento", insistiu, apontando para o impacto que isso tem no crescimento da produtividade. "Além disso, populações de países corruptos tendem a não ver a globalização trabalhando em seu interesse", afirmou o estudo. 

De acordo com a OCDE, a corrupção é mais presente em investimentos que são direcionados a países onde a administração é frágil e os ganhos elevados. "Do lado dos fornecedores, empresas tentam melhorar suas chances de vencer um contrato no que deveria ser uma concorrência aberta", disse a entidade. A propina, na maioria das vezes, serve para obter informação privilegiada, obter detalhes das ofertas dos concorrentes e eliminar rivais mais fortes do processo de licitação.

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Os subornos ainda serviriam para obter subsídios estatais, redução de impostos, licenças, aprovação acelerada de projetos, contratos em privatizações e decisões legais favoráveis ao grupo. "Em resumo, o objetivo é o de driblar o mercado e processos legais para extrair benefícios privados, às custas de concorrentes e cidadãos de algumas partes do mundo", indica. 

A OCDE, porém, admite que a abertura de mercados e fronteiras levou a uma onda de atividades econômicas para regiões vistas como relativamente mais corruptas. "Isso sugere que a abertura da economia mundial ao comércio e investimentos sem um melhor controle sobre a corrupção e boa administração deixam todos os países mais expostos a níveis maiores de corrupção", alertou.

Para a entidade, precisa existir um mesmo patamar de concorrência para que empresas e operadores de comércio exterior possam agir. A adesão às Convenções da OCDE contra Corrupção, segundo a organização, poderia ser uma forma de evitar que funcionários públicos sejam subornados. 

 

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