Célio Messias/Estadão
Célio Messias/Estadão

Cortador de cana é uma profissão em extinção

Colheitadeiras mais eficientes vêm substituindo a mão de obra

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 16h00

Se não fosse pelo seu podão (faca grande afiada), o pernambucano Ademir Ferreira da Costa, de 43 anos, poderia até passar despercebido. Sua profissão, de cortador de cana, hoje é quase uma exceção no Estado de São Paulo, maior produtor do País.

Costa faz parte de um pequeno grupo que migra todos os anos para o Centro-Sul do País para trabalhar na colheita de cana. Se, há quase dez anos, Costa dividia espaço com vários de seus conterrâneos, hoje trabalha nos canaviais lado a lado com grandes e pesadas colheitadeiras – que plantam e colhem a cana. Cada máquina dessas, que chegam a custar até R$ 1 milhão, substitui, em média, 80 trabalhadores e colhe 100 mil toneladas de cana por safra. 

A colheita mecanizada de cana já atinge 90% da safra em São Paulo e quase o mesmo índice na região Centro-Sul do País. Em São Paulo, a queima da palha da cana é proibida desde o ano passado em áreas aptas à mecanização e tem de ser abolida totalmente até 2017 para não mecanizáveis, segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica). “Os cortadores podem atuar em áreas inferiores a 150 hectares ou em áreas com declives superiores a 12%, onde máquinas têm dificuldade para entrar.”

“Trabalho há nove safras com cana. Venho para São Paulo todo ano para colher laranja e depois ir para os canaviais”, conta Costa, que mora na cidade de Itobi, a cerca de 250 quilômetros da capital de São Paulo, para atender as usinas nas região.

Para a safra 2015/16, Costa está mais animado. “Tem mais cana para colher e a expectativa é de melhorar o salário”, diz. Em época de boa safra, chega a tirar até R$ 3 mil por mês, dependendo de sua produtividade. Por dia, conta, ele chega a cortar entre 9 e 10 toneladas de cana. A média por pessoa é de 7 toneladas de cana por dia.

Nascido em Caruaru (PE), Costa mudou-se com parte de sua família para Juazeiro do Norte, no Ceará. Trabalhou como roceiro e até tentou ganhar a vida como jardineiro em uma fábrica de refrigerante da cidade. “Ganhava um salário mínimo. Não dava para sustentar minha família”, diz o cortador de cana, que tem cinco filhos.

Ao decidir vir para São Paulo, deixou a família para trás. Mas volta todo fim de colheita, em dezembro, para depois começar tudo de novo entre fevereiro e março.

Emprego reduzido. O setor sucroalcooleiro já chegou a empregar 2 milhões de pessoas na atividade durante o Proálcool, programa de estímulo à produção de etanol. Hoje, são cerca de 600 mil trabalhadores, dos quais 150 mil na área agrícola, disse Rodrigues. 

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